Testemunho de Diogo Talone

1. Que testemunho pode dar sobre os últimos 10 anos do sector da Água? O que de mais importante aconteceu na sua perspetiva?

 

Três pontos positivos:
•    Foram feitos investimentos no setor e os rácios de cobertura de infraestruturas de água e saneamento, bem como de tratamento, aumentaram. Melhorou também a qualidade de água distribuída e a qualidade das massas de água bruta;
•    Houve avanços a nível tecnológico e existem no país exemplos de boas práticas e projetos ao nível do estado da arte internacional;
•    Existe uma nova geração de técnicos do setor que cresceu ativamente nestes processos: recebeu formação em qualidade e quantidade e participou em projetos de dimensão técnica e tecnológica, o que confere ao setor capacidade técnica;

 

Três pontos negativos:
•    A definição dos modelos de gestão e sua implementação tem vindo a atrasar o desenvolvimento do setor. Os últimos cinco anos foram desanimadores e não poderão ser apenas explicados pelo contexto de crise que assolou o país;
•    Muitos investimentos foram sobredimensionados, o que se reflete agora nas tarifas aplicadas e que se preveem ainda vir a agravar;
•    Assiste-se a uma fuga de bons quadros do setor para o exterior devido a alguma estagnação e ausência de perspetivas em Portugal;

2. O que gostaria de ver concretizado na próxima década no sector?

 

Enquadrar no setor todas as partes interessadas que para ele contribuem, nomeadamente: instituições, entidades gestoras, prestadores de serviços, consultores, fornecedores e utilizadores. De modo a que não sejam uns beneficiados e outros prejudicados. Todos são importantes e todos têm um papel a desempenhar.

Criar um setor justo, com oportunidades para todos, especialmente ao nível das PME, tendo estas um papel crucial no desenvolvimento económico e tecnológico do país.

Fomentar, independentemente do modelo de gestão, que os serviços de água assumam uma veia empresarial que promova a redução da ineficiência existente no dia-à-dia, tendo em conta, por um lado, as mais-valias das economias de escala e, por outro, o contexto e as especificidades locais.

 

Diogo Talone é Diretor e consultor na Douro ECI