Afonso Lobato de Faria (AdP): Reestruturação do sector da água tem “virtudes" mas também "dificuldades"

A agregação de vários sistemas multimunicipais de abastecimento de água e saneamento - no âmbito da denominada reforma do sector da água – tem "virtudes", mas também "algumas dificuldades".

 

Quem o diz é o presidente do grupo Águas de Portugal (AdP), Afonso Lobato de Faria, que vai falar sobre o tema durante a 10ª Expo Conferência da Água, que decorre a 11 e 12 de Novembro, no Sana Malhoa Hotel, em Lisboa.

 

Como virtudes deste processo o responsável identifica “a promoção da equidade tarifária, que permitiu reduzir desde o dia 1 de Julho as tarifas de água e saneamento para os sistemas multimunicipais do interior, as sinergias que irão possibilitar reduzir em 91 milhões de euros por ano os custos operacionais face ao previsto e desta forma manter as tarifas a níveis socialmente comportáveis, bem como a resolução do défice tarifário num horizonte temporal definido”.

 

Serão também abordadas algumas “dificuldades que um processo desta natureza, envolvendo cerca de três mil pessoas e praticamente todo o território nacional, naturalmente incorpora”, sublinha Afonso Lobato de Faria em declarações ao Ambiente Online.

 

A reforma do sector da água consubstanciou-se na reorganização territorial do grupo Águas de Portugal. As 19 empresas foram agregadas em apenas cinco entidades gestoras. Além da empresa “Águas de Lisboa e Vale do Tejo”, foram ainda criadas as empresas “Águas do Norte” e “Águas do Centro Litoral”, além dos sistemas já em funcionamento: Águas Públicas do Alentejo e Águas do Algarve.

 

Este ano a Expo Conferência da Água assinala 10 anos ao longo dos quais acompanhou a evolução que o sector registou. Afonso Lobato de Faria considera que na última década “o sector da água conseguiu atrair fortes investimentos que implicaram melhorias significativas na cobertura e na qualidade do serviço”. Apesar disso subsistiram alguns problemas de sustentabilidade e eficiência, realça.

 

“Considero que a reorganização do sector irá contribuir decisivamente para a sustentabilidade e para o fomento da eficiência dos serviços prestados com benefício para os consumidores”, opina.

 

Na próxima década o responsável gostaria de ver um sector da água “cada vez mais profissionalizado, inovador, respeitado, capaz de atrair os melhores quadros e com entidades gestoras eficientes, nomeadamente no sentido de terem perdas médias em linha com as melhoras práticas internacionais. Cabe aos profissionais deste sector fazer com que Portugal possa estar ao nível dos melhores países europeus”, incentiva.

 

“O futuro do sector em contexto de mudança – Da reestruturação à inovação” é o mote desta 10ª edição da Expo Conferência da Água, evento organizado pelo jornal Água&Ambiente, uma publicação do Grupo About Media.

 

No primeiro dia de conferência, 11 de Novembro, será abordada a reforma dos serviços de água e saneamento, designadamente “a agregação dos sistemas multimunicipais: oportunidades e desafios”. Uma mesa redonda discutirá, durante a manhã, “a agregação da alta numa análise de impacto pelos stakeholders”, que contará com representantes de entidades de gestoras em alta e baixa, com a participação de municípios, muitos dos quais grandes opositores a esta reforma, e privados. Consulte aqui o restante programa. 

 

(Ana Santiago para o Ambiente Online)