
Os 10 anos do Fórum Nacional de Resíduos
João Belo, Diretor Geral Grupo about Media
19 de abril de 2016
Hoje assinalamos 10 anos do Fórum Nacional de Resíduos, uma iniciativa que o jornal Água&Ambiente lançou e que se afirmou como um evento incontornável do sector dos resíduos em Portugal.
E é incontornável porque nele se discute de forma aberta, acessível a todos, sem agendas subliminares ou implícitas, as grandes questões que em cada ano marcam o sector.
A fórmula do Fórum Nacional de Resíduos, que é de resto a fórmula de todas as iniciativas do jornal Água&Ambiente, está centrada na preocupação de garantir a antecipação da informação, informação isenta e informação sem tabus.
São estes os valores que explicam, nestes 10 anos, a afirmação do Fórum Nacional de Resíduos que, desde a sua origem, privilegiou o debate em torno dos temas nacionais, refletindo e antecipando a agenda do sector e a identificação das tendências internacionais. Cada uma das suas edições é desenhada com a preocupação de proporcionar ao mercado e ao sector informação independente tendo em vista um único propósito: informar acrescentando valor.
O 10.º Fórum Nacional de Resíduos é especial, não só porque assinalamos 10 edições, só por si motivo de regozijo, mas também porque temos a noção de que a presente edição coincide com a génese de um novo ciclo para o sector dos resíduos em Portugal e na Europa. Um novo ciclo marcado pela Economia Circular que é portadora de um novo paradigma: se até aqui a preocupação foi criar condições para que pudesse fazer a gestão correta dos resíduos, garantindo soluções de encaminhamento e tratamento, hoje, com a Economia Circular, os resíduos vão entrar na economia, nas empresas de uma forma geral e nos seus produtos, como verdadeiro recurso.
E hoje estamos perante os protagonistas: todos nós, os que amanhã poderão dizer que estiveram na génese da construção em Portugal do novo paradigma da política de resíduos: a Economia Circular.
A Economia Circular é, assim, a tendência que marca o 10.º Fórum Nacional de Resíduos. Mas, como referi, o Fórum Nacional de Resíduos centra-se também na agenda do sector e nesta matéria temos momentos muito altos, com importantíssimos painéis e debates.
Desde logo, as metas a que Portugal está vinculado em matéria de gestão de resíduos, e que estão sobre pressão também por causa dos ventos da Economia Circular, se antes já eram ambiciosas, agora são ainda mais.
Coloca-se, assim, a questão de saber se os investimentos de Portugal estão devidamente alinhados com as orientações comunitárias.
Neste contexto, vale a pena refletir sobre a questão de como enquadrar a TGR ao serviço do sector para o alcance das metas cada vez mais exigentes, dotando-a de uma função que deveria ser a sua.
É ainda neste quadro de metas mais exigentes pós 2020, que incluem a limitação de deposição de resíduos em aterro a 10 por cento dos resíduos urbanos, o incremento da reciclagem dos resíduos urbanos até 65 por cento e a reciclagem de resíduos de embalagem até 75 por cento, que vamos analisar soluções para o cumprimento de metas de reciclagem e desvio de resíduos de aterro.
Finalmente, num quadro em que ambicionamos reciclar mais e melhor e desviar mais resíduos de aterro, deve ser ponderada também a questão de uma solução feliz para os CDR. Este é outro ponto que preocupa o sector e que merece solução de uma vez por todas.
Naturalmente, a questão da gestão de fluxos específicos de resíduos em concorrência marca o Fórum Nacional de Resíduos.
O 10.º Fórum Nacional de Resíduos é assim, uma vez mais, a oportunidade de trazer para a luz do debate público, do debate aberto, aquilo que é tratado nos bastidores.
E numa altura em que se prepara para introduzir a concorrência ao nível das entidades gestoras fica a pergunta: por que razão essa concorrência não é alargada à restante cadeia de valor?
Ora o 10.º Fórum Nacional de Resíduos, numa fase de abertura da concorrência a este importantíssimo fluxo de resíduos para o cumprimento das novas e ambiciosas metas 2030, contribui com este debate para a discussão. É necessário acautelar, estudando diferentes modelos e ouvindo todos os envolvidos, clara e meticulosamente, as regras do jogo antes de os jogadores entrarem em campo.
Estes são os temas da 10.ª edição do Fórum Nacional de Resíduos que irá também aprofundar como vai a gestão dos resíduos perigosos em Portugal.
Uma nota mais para referir a presença do Director-Geral das Atividades Económicas, Dr. Artur Lami, logo na abertura do 10.º Fórum Nacional de Resíduos. Um claro sinal de que a economia quer participar ativamente na gestão dos resíduos, nomeadamente na gestão dos fluxos específicos. Um sinal de que a Economia Circular parece ter vindo para ficar.