Elsa Nascimento (Renascimento): CDR não compensa face aos preços de deposição em aterro (COM VÍDEO)

Os operadores que têm linhas de produção de CDR (Combustível Derivado de Resíduos) estão a ver-se obrigados a encaminhar grande parte deste material, refugo das TMB (Tratamento Mecânico Biológico), para aterro já que não têm possibilidade de fazer mais investimento em secagem de CDR de forma a que possa ser escoado para as cimenteiras.

 

Este alerta foi lançado esta manhã pela directora executiva da Renascimento – gestão e reciclagem de resíduos, Elsa Nascimento, durante o 10º Fórum Nacional de Resíduos.

 

“Caso não consigamos aproveitar as oportunidades que a Economia Circular nos está a trazer e caso não consigamos arranjar sinergias entre o sector público estatal para fazermos investimentos conjuntos na secagem dos CDR muitas empresas serão forçadas a fechar a produção de CDR e passar a canalizar os seus resíduos para aterro”, lamentou em declarações ao Ambiente Online.

 

Empresas como a Renascimento, tal como outros operadores, têm apostado nestas linhas nos últimos anos, mas o produto com alto teor de humidade não é facilmente escoado para as cimenteiras.

 

Uma tonelada depositada em aterro pode custar 35 euros por tonelada enquanto que o custo de produção de CDR atinge os 38 euros, isto ainda sem a componente da secagem que permita reduzir os níveis de humidade.

 

Elsa Nascimento explica que os clientes fazem um esforço para desviar matéria orgânica dos TMB, mas “há uma fracção que é muito difícil de separar”, sublinhou lembrando que a solução passa não só por fundos comunitários, mas também pela revisão dos valores da Taxa de Gestão de Resíduos de forma a que seja realmente incentivada de facto a hierarquia da gestão de resíduos.

 

O 10º Fórum Nacional de Resíduos, organizado pelo jornal Água&Ambiente, arrancou ontem, 19 de Abril, e decorre durante esta quarta-feira, 20 de Abril, no Sana Malhoa Hotel, em Lisboa. 

 

VÍDEO

 

(Ana Santiago para Ambiente Online)