Tomás Serra (EGF): “Não é pela produção de CDR que vamos atingir metas do PERSU” (COM VÍDEO)

O director de produção da EGF e presidente do conselho de administração da Resinorte, da Resiestrela e da Algar, considera que não é pela aposta nos CDR (Combustíveis Derivados de Resíduos) que o país conseguirá cumprir as metas do PERSU 2020 (Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos), nomeadamente no que diz respeito ao limite de 10 por cento de deposição em aterro dos resíduos urbanos em 2030.

 

“A única forma que eventualmente temos para cumprir a nova meta que está em discussão não é seguindo o caminho da produção de CDR, porque essa produção gera refugos que por sua vez terão que ir para aterro, mas sim através de escolhas de soluções de tratamento logo na própria fracção resto e dessa forma reduzir o refugo destinado a aterro. Obviamente que é um assunto que tem que ser estudado com detalhe”, argumentou em declarações ao Ambiente Online durante o 10º Fórum Nacional de Resíduos que decorreu esta terça e quarta-feira, 19 e 20 de Abril, no Sana Malhoa Hotel, em Lisboa, uma organização do jornal Água&Ambiente do grupo About Media.

 

“A minha estimativa é que teríamos de duplicar a capacidade energética do país. Neste momento temos cerca de um milhão de toneladas de capacidade na Lipor e Valorsul. Poder-se-ia expandir as duas instalações, o que daria mais 300 mil toneladas. O que significa que com três instalações: uma norte interior, uma centro e talvez Algarve Alentejo dedicadas o problema se resolveria”, expõe.

 

“A questão é também encontrar consumidores para o calor para que a produção seja feita em conjunto calor-electricidade e, por outro lado, congregar todos os intervenientes no sentido de haver um entendimento para conseguir concretizar essas ideias”, alerta.

 

Tomás Serra lamenta que há 10 anos se ande a discutir esse assunto dos CDR como solução para o tratamento dos refugos de TMB (Tratamento Mecânico Biológico). “Entregámos esse assunto a um sector externo ao nosso e até hoje ele não foi resolvido. Cerca de 20 milhões depois estamos no mesmo sítio. Houve várias experiências no sentido de encontrar uma solução. A verdade é que não se encontrou e continua a falar-se em mais investimento, com mais custos operacionais, o que não resolve o problema. O caminho terá que ser outro”, defende.

 

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(Ana Santiago para o Ambiente Online)