Governo espanhol quer Bruxelas a taxar eletricidade térmica de Marrocos

O Governo espanhol através de Teresa Ribera e Maria Jesus Montero, ministras da Transição Ecológica e Fazenda, respetivamente, enviou uma carta a Bruxelas solicitando que seja a União Europeia a aprovar uma taxa que penalize a importação de eletricidade gerada por carvão de países terceiros à UE, como é o caso de Espanha com Marrocos.

 

O conteúdo da carta foi recentemente divulgada pelo El País e assinala que devia ser o conjunto da UE a impor essa taxa já que não se trata de um problema exclusivo de Espanha, mas também de outros países do leste da Europa e dos Balcãs.

 

Segundo a notícia, os países terceiros produzem eletricidade mais barata nas suas centrais térmicas a carvão, por não pertencerem ao sistema europeu de direitos de emissão de CO2, permitindo que não tenham o custo de 25 euros por tonelada de emissões, tal como os concorrentes estabelecidos em solo da UE.

A Interligação Espanha – Marrocos, da qual Portugal também beneficia, inverteu o sentido, tonando-se o país africano exportador para a península ibérica desde o final do ano passado e daí a dúvida do Governo español. No entanto, o comissário Arias Canete recomendou ao Governo de Espanha que avançasse com uma taxa, segundo ele, fazer esse processo via Bruxelas demoraria anos e precisaria de unanimidade, basta um dos 28 não concordar e a taxa morre.

 

Portugal está através da REN a estudar uma ligação própria a Marrocos, o país magrebino está a desenvolver uma ambiciosa expansão de renováveis mas até dispor de uma produção suficiente usará as centrais a carvão, como a recém inaugurada de Safi com 1386 MW de potência bruta (na foto) e exportará para a península eletricidade “suja”, refere o El País.

 

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