
ambiente
STCP abandona projecto de hidrogénio devido aos «fracos resultados»
O
Sistema de Transportes Colectivos do Porto (STCP) investiu 4 milhões
de euros, comparticipados por fundos comunitários, na
aquisição de três autocarros protótipos
movidos a hidrogénio. Esta foi uma das consequências da
participação no projecto «Clean Urban Transport
for Europe» (CUTE), que envolveu 10 cidades europeias, entre as
quais o Porto, com o objectivo de testar a fiabilidade de um sistema
baseado em células de combustível de cítaro, com
capacidade para 40 kg de hidrogénio comprimidos a 350 bares.
A
segunda fase do projecto, que está agora a ser desenvolvida em
cidades como Barcelona, Amesterdão, Hamburgo, Londres,
Estocolmo, Madrid ou Estugarda, já não conta com a
participação do Porto, devido aos «fracos
resultados da experiência-piloto», que decorreu entre
2001 e 2006. O anúncio foi feito hoje, por Rui Teixeira,
responsável do STCP, no segundo dia do evento sobre o futuro
do hidrogénio em Portugal, promovido pelo Instituto de
Engenharia Mecânica e Gestão Industrial (Inegi), que
está a decorrer na Faculdade de Engenharia da Universidade do
Porto.
Cada
autocarro movido a hidrogénio, cujo custo de aquisição
rondou os 1,25 milhões de euros, «era intercalado na
mesma linha com autocarros abastecidos a diesel e a gás
natural, na tentativa de compararmos as performances»,
contextualizou Rui Teixeira. Como resultado, a velocidade comercial
atingida pelos autocarros movidos a hidrogénio foi de 9,5
km/hora, quando Amesterdão apresentou o valor de 18,7 km/hora.
«A velocidade média foi extremamente baixa, devido ao
facto de funcionar apenas sete horas por dia», continuou a
mesma fonte. Por outro lado, enquanto que os autocarros movidos a
hidrogénio consumiram 10 milhões de metros cúbicos,
os veículos abastecidos a diesel tiveram um consumo de seis
milhões de litros de gasóleo.
A
perfuração de diafragmas e a diluição de
gás em cilindros, assim como problemas com adaptadores, foram
também algumas das dificuldades técnicas sentidas
durante a experiência que envolveu a circulação
de 33 autocarros e o transporte de 33 mil passageiros em toda a
Europa. «Também houve problemas ao nível dos
inversores de corrente, embora as células de combustível
tenham mostrado altos níveis de fiabilidade», referiu
Rui Teixeira.
Neste
evento, o responsável do STCP aconselhou a aposta na produção
de hidrogénio descentralizada, como forma de tornar a
tecnologia «mais barata e mais fiável». O aumento
da pressão de estações de depósito de
hidrogénio é uma das soluções para
melhorar a eficiência dos veículos.