Colunista Filipe Vasconcelos (Energia - Tecnologia): A torradeira inteligente

03.11.2015

O conceito de casas inteligentes não é novo. Muitos de nós ouvimos falar de casas inteligentes desde o tempo do Blade Runner, mas a verdade é que as nossas torradeiras ainda não comunicam com o frigorífico e a máquina do café é ainda só uma máquina de café.

 

O mercado das aplicações para casas inteligentes (a que se chama domótica) tem um enorme potencial, superior a oitenta mil milhões de dólares em 2020, mas a sua concretização hoje é ainda tímida e pouco visível. Uma das principais razões para que o mercado não descole deriva de os fabricantes não trabalharem sobre uma única plataforma de comunicação, mas cada um desenvolver a sua, fechada e proprietária, o que impede que a torradeira Philips fale com a máquina de café Nespresso e com o frigorífico GE, por exemplo.

 

Em 2014 a Google entrou com estrondo neste mercado comprando a NEST por mais de três mil milhões de dólares. A NEST é a criadora (por exemplo) de um termóstato que está conectado ao nosso smartphone e que não só sabe quando estamos em casa e aprende os nossos hábitos, tornando a nossa vida mais fácil e económica.

 

A empresa está a expandir o seu programa "Works with Nest", permitindo que outros fabricantes utilizem a plataforma NEST, através de um protocolo de comunicação chamado WEAVE. Este pretende resolver muitos dos problemas associados, dado que todos falarão a mesma língua, incluindo a capacidade de conectar dispositivos com restrições de energia ou que requerem baixa latência e redundância. A primeira empresa a adotar esta tecnologia foi o fabricante de fechaduras Yale, seguindo-se outras como a Daikin, a GE e a Philips.

 

Portugal tem sido tradicionalmente um bom mercado para indústrias testarem novos produtos. É um mercado relativamente pequeno, tecnologicamente avançado e com clientes que gostam de inovações. Ora, esta é uma oportunidade incrível para o nosso ecossistema tecnológico. É possível, desta forma, empreendedores, tecnológicas e mesmo utilities como a EDP, a GALP ou a EPAL, irem à boleia deste protocolo (e da Google) e ganharem mercado.

 

Como pode ser feito? Através de parcerias com a própria Google no desenvolvimento de novos serviços baseados nesta plataforma no nosso mercado. Usar Portugal como base para testar e partir para o Mundo já com track record. Esta não é a única forma de ser bem sucedido mas é provavelmente a mais fácil para nós.

 

Provocação do mês: de que forma podem as empresas portuguesas maximizar o acesso a uma fatia deste bolo das casas inteligentes?

 

Filipe Morais Vasconcelos, engenheiro mecânico pela Universidade Nova de Lisboa, Pós-graduado pela Université Paris X e MBA pela London Business School é desde 2015 Managing Partner da S317 Consulting. Foi Administrador da YAP_ON Sustainable Solutions entre (2014-2015), Diretor-Geral da Adene (2012-2014), Assessor do Secretário de Estado da Energia no XIX Governo Constitucional (2011-2012), Consultor Sénior no grupo EDP (2004–2011) e Consultor na Accenture (2001–2003). O autor escreve, por opção, ao abrigo do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

TAGS: Colunista , Filipe Vasconcelos , energia , tecnologia , opinião , Ambiente Online
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