Ana Freire (psicóloga social): Sensibilização para reciclagem tem que envolver componente emocional

16.10.2015

Para que os níveis de reciclagem aumentem a sensibilização que é feita pelas várias entidades gestoras dos vários fluxos específicos de resíduos tem que envolver uma componente emocional ao invés de apelar apenas, como acontece em muitos casos, à necessidade de preservar o ambiente.

 

“Tem que ficar bem claro que esse comportamento vai melhorar a qualidade de vida dos seus filhos e netos. É a parte que toca à família. Não pode ser apenas a ideia longínqua de que esse gesto vai contribuir para um melhor mundo. Psicologicamente as pessoas têm mais tendência a aderir quando pensam no seu país, no seu bairro, no seu jardim”, explica ao Ambiente Online a psicóloga social Ana Pyrrait Freire, professora convidada do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE), que colabora também com as plataformas ConsumerChannel e Netsonda.

 

Ana Freire chama a atenção para a necessidade de não limitar a comunicação à televisão e aos grandes meios. “Pode haver outras estratégias de comunicação mais próximas das pessoas e até mais económicas através das juntas de freguesias e direccionadas para os idosos, por exemplo. Não tem que ser só uma comunicação direccionada para pessoas letradas”, alerta reconhecendo por outro lado que muitas das campanhas têm só como alvo os mais novos deixando outros públicos de lado.  

 

Na sua óptica é preciso também alargar os pontos de entrega, sobretudo no que diz respeito aos resíduos eléctricos e electrónicos. “O sucesso dos ecopontos para o plástico, vidro e papel tem que ver com a proximidade a que estão da população. Percebo que resíduos como os dos equipamentos eléctricos e electrónicos não são diários, o que pode não justificar que os pontos de recolha estejam tão próximos, mas deve informar-se muito bem a população dos sítios que existem para o efeito. Por que não um site onde se pode ir ver onde estão os vários pontos para os vários tipos de resíduos?”, sugere.

 

Um caso paradigmático é para a psicóloga é o das lâmpadas. “As pessoas não sabem onde as depositar. Não basta dizer que é preciso reciclar. É preciso dizer onde. Guardar lâmpadas em casa e esperar para as devolver no momento em que se vão comprar outras não é uma boa opção. As coisas têm que ser práticas e irem ao encontro dos  consumidores e não o contrário”, opina.

 

A psicóloga foi uma das oradoras no X Encontro da Associação Empresarial dos Sectores Eléctrico, Electrodoméstico, Fotográfico e Eletrónico (AGEFE), sobre o tema “O Futuro é Agora”. O evento, que decorre esta sexta-feira, 16 de Outubro, no Hotel Intercontinental em Lisboa, pretende analisar e discutir os principais desafios que se colocam à evolução do mercado de electrodomésticos, eletrónica de consumo e TIC. O evento é patrocinado pela European Recycling Plataform (ERP) Portugal. Conta ainda com o apoio da Amb3e e GFK.

 

Ana Santiago 

TAGS: Resíduos , reciclagem , sensibilização , comunicação
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