António Sá da Costa (Energia-Renováveis): Objetivo de energia renovável para 2030

06.06.2018

É já a 11 de junho, em Sófia, a capital da Bulgária, que neste semestre preside à União Europeia, que deverão ser fechados muitos aspetos relativos à nova diretiva das renováveis, conhecida pela sigla inglesa RED II.

 

Há muita coisa em jogo, mas o tema fundamental é a meta da percentagem de renováveis no consumo de energia. Saliento que esta “energia” é o conjunto de todos os usos: eletricidade, transportes e aquecimento e arrefecimento. Este valor é para a EU e para 2020 de 20%, para Portugal 31%, a Comissão Europeia propôs que em 2030 fosse de 27%, valor que foi secundado pelo Conselho de Ministros de energia. O Parlamento Europeu foi mais ambicioso e propôs 35%.

 

Espera-se que nas discussões trilaterais, o chamado trilogue, em que se sentam à mesa as três entidades acima referidas, se chegue a um acordo. Portugal tem alinhado, e bem na minha opinião, com a proposta do Parlamento.

 

Uma meta inferior a 35% é comprometer o futuro da energia na Europa, é afastarmo-nos dos objetivos do acordo de Paris, é tornar inatingível a neutralidade de carbono em 2050, é contribuir para alterações irreversíveis na vida na Terra como a conhecemos hoje, enfim é hipotecar o futuro.

 

Se se pretende que a Europa seja líder nas energias renováveis, no desenvolvimento tecnológico, na I&D, que reduza a sua fatura energética que atualmente é de mais de mil milhões de euros diários, que a Europa promova a sua indústria e o emprego, tem de se ser ambicioso nos objetivos traçados e não ficar por um valor pífio, que provocará um forte abrandamento nas políticas vigentes, incluindo o caso de alguns países que já atingirão em 2020 metas suficientes para nada fazer até 2030.

 

Esperemos, pois que Portugal consiga ajudar a convencer alguns dos estados membros que ainda têm dúvidas, já que os do bloco de leste, ainda muito agarrados ao carvão, não estão interessados em que se acordem valores mais altos.

 

Os nossos governantes que tutelam o setor da energia sabem bem que a nossa posição é a de lutar por pelo menos 35%. Esperemos, pois que se consiga esta meta. Eu estarei a torcer pelos 35%, pois tem de se acreditar que é um objetivo alcançável, a posição do nosso País é muito importante, o nosso exemplo é muito bem visto na Europa, e nunca deixaremos de acreditar que: Portugal precisa da nossa energia.

 

Portugal precisa da nossa energia.


António Sá da Costa é presidente da APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis e Vice-Presidente da EREF – European Renewable Energy Federation e da ESHA – European Small Hydro Association. Licenciou-se como Engenheiro Civil pelo IST- UTL (Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa) (1972) e tem PhD e Master of Science pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology (USA) em Recursos Hídricos (1979). Foi docente do IST no Departamento de Hidráulica e Recursos Hídricos de 1970 a 1998, tendo sido Professor Associado durante 14 anos; tem ainda leccionado disciplinas no âmbito de cursos de mestrado na área das energias renováveis, nomeadamente na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Portalegre; Exerceu a profissão de engenheiro consultor durante mais de 30 anos, sendo de destacar a realização de centenas de estudos e projectos na área das pequenas centrais hidroeléctricas; Foi fundador do Grupo Enersis de que foi administrador de 1988 a 2008, onde foi responsável pelo desenvolvimento de projectos no sector eólico e das ondas e foi Vice-Presidente da APE – Associação Portuguesa da Energia de 2003 a 2011.

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