As razões para as licenças de CO2 estarem a aumentar de preço

29.07.2018

O preço médio da tonelada de carbono das licenças EU allowances carbon trading (EUAs) subiu para quase 12 euros no primeiro semestre de 2018, por comparação com o valor médio de todo o ano passado, segundo dados divulgados pelo Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente. O Fundo Ambiental tem a sua principal receita neste mercado.

 

“É esperado que a escalada de preços continue” refere Ricardo Carrilho, administrador da Get2c, profundo conhecedor deste tema e deste negócio. De facto, no passado dia 23 de Julho, na bolsa europeia EEX onde se transacionam estas licenças o preço atingiu o máximo de sempre de 17,45€ por tonelada.

 

Na opinião de Ricardo Carrilho, a subida das EUAs (European Union Allowances) registada no último ano está na sua maior parte associada à alteração regulatória consubstanciada na nova diretiva do CELE – Comércio Europeu de Licenças de Emissão. A reforma do CELE para o período pós 2020 veio definir regras muito mais apertadas para os operadores tendo colocado uma forte pressão de compra no mercado, principalmente pela previsível redução na atribuição de licenças gratuitas.

 

Também de uma conjuntura macro económica favorável resultaram em aumentos de produção que se traduzem em aumentos no consumo de energia e, consequentemente, em aumento nas emissões de CO2.

 

Igualmente importante é a nova diretiva dos mercados financeiros MIFID2 determinou que, a partir de 3 de Janeiro de 2018, os ativos de carbono passassem a ser considerados como ativos financeiros, estando desta forma a sua transação regulada por esta diretiva. Segundo Ricardo Carrilho, esta alteração “profissionalizou” o sistema e deu mais segurança a investidores financeiros de grande dimensão que começaram agora a “olhar” para este mercado.

 

Outros fatores também influem na tendência, como a seca verificada nos últimos anos. Esta realidade levou a uma redução da produção das Hídricas teve de ser compensada pela produção de energia com base em fontes bastante mais poluentes. Ainda importante foi a subida do preço de outras commodities, nomeadamente da eletricidade e do petróleo, tiveram também bastante influência na variação deste ativo.

 

“Prevê-se que este fatores continuem a ser preponderantes na determinação do caminho a seguir pelas EUAs”, conclui Ricardo Carrilho.

 

 

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