Carlos Zorrinho (Energia - União Europeia): Energia para recuperar

18.06.2020

Energia para recuperar


 

Ainda a braços com o controlo da pandemia sanitária e consciente da catástrofe económica e social por ela provocada, a União Europeia está a preparar um potente plano de recuperação de nova geração, que conjuga um fundo de recuperação de 750 000 milhões de euros dos quais dois terços são subvenções, com o quadro financeiro plurianual e o aumento dos recursos próprios.

 

Programas transversais e planos nacionais terão que funcionar de forma articulada para que seja possível não apenas recuperar a economia europeia e o seu tecido social, mas fazê-lo num patamar mais competitivo, mais eficiente, mais conforme aos objetivos de redução das emissões de gases com efeito de estufa, de melhoria da qualidade do ar, da criação de empregos qualificados e da redução da pobreza e das desigualdades.

 

Para que tudo isto seja possível, um novo paradigma energético vai emergir na nova economia europeia pós-Covid. É por isso fundamental que Portugal, dando sequencia a políticas de descarbonização inteligente que já vinha a aplicar, se mantenha na fronteira tecnológica aproveitando quer os recursos do fundo de recuperação quer os recursos do quadro financeiro plurianual.

 

 

A aposta anunciada no hidrogénio verde tem tudo para ser vencedora, mas não podemos hesitar, porque os outros grandes players europeus e em particular a Alemanha, já estão na corrida.

 

 

Com recurso ao mecanismo de transição justa, agora reforçado globalmente para 40 mil milhões de euros, poderemos reforçar a nossa posição na eletrificação da indústria e da mobilidade.  A aposta anunciada no hidrogénio verde tem tudo para ser vencedora, mas não podemos hesitar, porque os outros grandes players europeus e em particular a Alemanha, já estão na corrida. 

 

Nos 3 pilares do fundo de recuperação podemos e devemos alicerçar um programa nacional de recuperação ambicioso em que a transição verde e digital se reflita em todos os setores da economia e da organização social.

 

O mecanismo de investimento estratégico do InvestEU que planeia alavancar 150 mil milhões de euros, permitirá dar mais sustentabilidade aos investimentos empresariais no sector das energias renováveis e das cadeias de valor associadas, enquanto o mecanismo interligar europa, também reforçado na proposta recente da Comissão Europeia, constituirá uma base importante para ajudar a adequar as infraestruturas de armazenamento e distribuição.

 

A energia, tal como o digital, serão os dois esteios de uma recuperação sustentável. Não basta, no entanto, proclamar o compromisso com um novo paradigma energético e digital. É preciso apostar sem hesitação no conhecimento, na inovação, na tecnologia e nas qualificações que tornarão a visão uma realidade concreta. Também para isso existem no fundo de recuperação e no quadro financeiro plurianual vastos recursos, com destaque para o programa Horizonte Europa dotado com quase 100 mil milhões de euros.

 

Vivemos tempos difíceis. O futuro como sempre acontece, deixa de ser em cada dia aquilo que era no dia anterior, mas está nas nossas mãos torná-lo melhor.

 

 

Carlos Zorrinho, 61 anos, é casado e tem dois filhos. Doutorado em Gestão da Informação é Professor Catedrático do Departamento de Gestão da Universidade de Évora. Exerceu várias funções académicas e governativas e foi Deputado à Assembleia da República na VII, VIII, IX, XI e XII Legislaturas. É Deputado no Parlamento Europeu, Presidente da Delegação do PS, membro das comissões de Indústria, Investigação e Energia e de Desenvolvimento e Presidente da Delegação ACP (África, Caraíbas e Pacífico).

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