Opinião Carlos Zorrinho (Energia): O desafio de Macron

08.05.2018

Prosseguem no Parlamento Europeu as negociações tripartidas (Trílogos) entre o Conselho, o Parlamento e a Comissão para tentarem chegar a um primeiro compromisso relativo ao pacote da energia limpa até ao final do primeiro semestre deste ano, visando concluir todos os procedimentos legais para que os Estados membros possam apresentar os seus planos de ação energia clima 20/30 em tempo útil.  

 

Participante ativo do processo, como co-relator do Grupo dos Socialistas e Democratas para o Regulamento da Governação da União da Energia, tenho a noção da complexidade do processo e dos muitos interesses em jogo. Contudo, depois do Conselho de Energia realizado na última semana de Abril em Sofia e em que Portugal teve um papel preponderante na luta por uma transição energética europeia realista mas ambiciosa, notou-se maior abertura da Presidência Búlgara no exercício do seu mandato negocial. Espero que este sentimento corresponda a avanços sólidos nos próximos trílogos já agendados.

 

O compromisso final terá a marca de todos os Estados membros, mas obviamente que a posição da Alemanha e da França pelo seu peso político, económico e de mercado será muito relevante.

 

Destaco por isso neste texto o desafio que o Presidente Francês Emmanuel Macron deixou à Alemanha no debate sobre o Futuro da Europa que decorreu em Estrasburgo em 17 de Abril. Macron disse que está disponível para reduzir a aposta francesa no nuclear na exata medida em que a Alemanha estiver disponível para reduzir a sua aposta no carvão.

 

A ida de Merkel ao Parlamento Europeu, no quadro do ciclo de debates sobre o Futuro da Europa em que já esteve também António Costa, ainda não está agendada. Não será no entanto necessário esperar por esse momento para “conhecer” a resposta alemã ao desafio francês.

 

A europa da energia foi o embrião da União Europeia e continua a ser hoje um dos seus mais potentes motores. Se a ambição do Conselho em relação às metas das renováveis, da eficiência, das emissões se alargar, isso  significará que o “acordo” estará em marcha. Oxalá assim seja para bem da França, da Alemanha, da Europa e do planeta.


Carlos Zorrinho, eurodeputado do PS, membro da Comissão da Indústria, da Investigação e da Energia no Parlamento Europeu, é licenciado em Gestão de Empresas e doutorado em Gestão de Informação pela Universidade de Évora. Foi professor catedrático do Departamento de Gestão da Universidade de Évora, deputado à Assembleia da República pelo PS (1995-2002 e 2004-2014), líder Parlamentar do Partido Socialista na Assembleia da República (2011-2014) e, no Governo, ocupou as funções de Secretário de Estado da Energia e da Inovação (2009 e 2011) e secretário de estado Adjunto da Administração Interna entre 2000 e 2002.

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