Colunista Adérito Mendes (Água - Tendências): Afinal o que é isso de sustentabilidade ambiental?

20.05.2016

Ciclo de vida, economia circular, autorregeneração e tantas outras palavras e expressões parecem ser elementos que não podem faltar quando se discorre sobre sustentabilidade ambiental, e sempre a olhar para o futuro pois que para trás já não se pode actuar.

 

Aplicada à vastidão do sector do ambiente a análise da sustentabilidade requer uma abordagem por áreas específicas de cuja conjugação emerge o que se pode designar de ambiente.

 

Como o estado global do ambiente actual é de acentuado desequilíbrio, em que a quantidade de recursos que se utiliza é superior ao que se regenera e repõe, coloca-se a questão de saber como alcançar a sustentabilidade ambiental para que a vida no planeta terra subsista.

 

Mesmo que tudo o que façamos tenha o selo da sustentabilidade, o passivo ambiental acumulado não será eliminado e a inversão do declínio ambiental não se irá registar sem remover esses passivos.

 

Portanto, nestas condições não podemos globalmente classificar o que fazemos como ambientalmente sustentável, para que assim seja é necessário que cada acção sustentável acrescente um pouco mais de maneira que contribua para a reposição dos activos ambientais. Só assim se garante a sustentabilidade de longo prazo, ou seja, a sustentabilidade tem que ser uma sustentabilidade+ (mais).

 

Nesta linha de pensamento somos encaminhados para a uma nova era de soluções ambientais em que das fontes renováveis deverão extrair-se o suficiente para compensar e repor o que das não renováveis precisamos utilizar e do ciclo do uso destas recuperar tudo o que possa ser recursos.

 

Isto implica que cada projecto só pode ser considerado completo se demonstrar que não pode recuperar recursos de forma sustentável. Ou seja, não faz sentido num projecto inserir a recuperação de recursos quando para essa recuperação o saldo ambiental é negativo, quando deveria ser hiperpositivo para contribuir para a redução de passivos ambientais.

 

Adérito Mendes, engenheiro civil do ramo de hidráulica, formado em 1976 pelo Instituto Superior Técnico, é pós-graduado em “Alta Direcção em Administração Pública” e especialista em “Hidráulica e Recursos Hídricos”. Foi Coordenador Nacional do Plano Nacional da Água – 1998/2002 e 2009/2011 e autor de dezenas de estudos, projectos e pareceres relacionados com recursos hídricos. Começou a carreira como técnico superior na Direcção Geral dos Recursos e Aproveitamentos Hidráulicos, em 1977, passou pela Direcção Geral dos Recursos Naturais. Além de profissional liberal na área de estudos, projectos e obras hidráulicas, foi Director de Serviços de Planeamento do Instituto da Água-1988-2011, assessor de serviços de Comissão Directiva do POVT-QREN e assessor da presidência da Agência Portuguesa do Ambiente. Exerceu ainda as funções de docente do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa-2002-2014.

TAGS: Opinião , Adérito Mendes , água , tendências
Vai gostar de ver
VOLTAR