Colunista Adérito Mendes (Água-Tendências): Os desafios do ensino e formação

27.04.2016

No domínio do ensino e formação, alicerce de qualquer sociedade que pretenda um futuro próspero, o desafio dos próximos tempos é dar resposta ao que os empregadores mais se queixam, encontrar quem saiba fazer.

 

A isto é usual chamar experiência sem a qual os jovens candidatos a profissionais de ambiente enfrentam severas dificuldades de encontrar trabalho por conta de outrem ou emprego.

 

Mas ser jovem não é ser inexperiente? Parece haver um certo ciclo vicioso entre a formação e o primeiro trabalho/emprego. Mesmo os mais dotados do saber adquirido na formação encontram dificuldade em ser aceites no primeiro trabalho/emprego. A maioria dos empregadores em Portugal são pequenas e médias empresas que não têm dimensão para acomodar fases precoces do saber fazer porque na maioria dos casos os prazos das encomendas não se compadecem com longos períodos de aprendizagem.

 

Portanto, para quebrar o ciclo vicioso os candidatos no início de carreira deverão estar apetrechados com o saber fazer. Para isso, o que tem que ser alterado? Não me parece que alterar a filosofia do mercado de trabalho seja o mais simples. Mas para quem já lecionou longos períodos na Universidade sabe que esta tem toda a flexibilidade para alterar a tipologia de ensino/aprendizagem.

 

Basta querer quebrar o status quo, fazendo depender a progressão nas carreiras do critério da empregabilidade, o que se tornará factível com a protocolarização dos programas de ensino com as empresas e as instituições privadas e públicas.

 

Este desafio obrigará os responsáveis, dirigentes e professores, das escolas e universidades a sair da sua área de conforto e procurarem empresas e instituições para organizar a aprendizagem em exercício, que começa a ser uma tendência no mundo ocidental.

 

Adérito Mendes, engenheiro civil do ramo de hidráulica, formado em 1976 pelo Instituto Superior Técnico, é pós-graduado em “Alta Direcção em Administração Pública” e especialista em “Hidráulica e Recursos Hídricos”. Foi Coordenador Nacional do Plano Nacional da Água – 1998/2002 e 2009/2011 e autor de dezenas de estudos, projectos e pareceres relacionados com recursos hídricos. Começou a carreira como técnico superior na Direcção Geral dos Recursos e Aproveitamentos Hidráulicos, em 1977, passou pela Direcção Geral dos Recursos Naturais. Além de profissional liberal na área de estudos, projectos e obras hidráulicas, foi Director de Serviços de Planeamento do Instituto da Água-1988-2011, assessor de serviços de Comissão Directiva do POVT-QREN e assessor da presidência da Agência Portuguesa do Ambiente. Exerceu ainda as funções de docente do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa-2002-2014.

TAGS: Adérito Mendes , água , tendências
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