Colunista Ana Luís (Água-Gestão de Ativos): Como num sistema circular… até breve!

03.10.2017

Na semana passada Porto foi a cidade anfitriã do evento “European Innovation Partnerships – Water”, englobado na Water Innovation Week, onde o tema dominante foi a tão em voga “Economia Circular”.

 

Do ponto de vista da Gestão de Ativos, este tema desperta muito interesse: de que forma podem os ativos, ao longo do seu ciclo de vida, gerar valor – através da valorização de sub-produtos associados à respetiva operação – ou minimizar custos – pela redução de desperdícios, por exemplo?

 

Findo o referido evento, fiquei com a impressão de que, de uma forma geral, este conceito ainda está muito associado a inovação tecnológica e social, e maioritariamente ainda em fase de experimentação.

 

Paradoxalmente, logo após a primeira sessão do primeiro dia, não pude deixar de pensar na minha querida avó, já falecida. Pois recordo-me bem de quando, na minha infância, a visitava no Alentejo: a minha avó lavava a loiça num alguidar, cuja água ia despejar na sua pequena horta; aproveitava as cascas do melão para os coelhos e as pevides para as galinhas, animais que depois serviam para a sua alimentação; … O sistema funcionava de forma circular – por razões económicas! – , não havendo lugar a desperdício.

 

 

Da geração da minha avó, dou um salto para a geração dos meus filhos. Não para falar de como a cultura dominante entre adolescentes é a do “descartável” (gerando imensos resíduos), mas sim recuando até à altura em que eram bebés.

 

Há uma fase deliciosa do seu desenvolvimento em que para explorar algo novo, os bebés observam, agarram, levam à boca, agitam, e deixam cair o objeto – sentindo assim a sua forma, o seu sabor, a sua textura, o seu peso, etc.

 

Foi uma experiência parecida com esta que procurei proporcionar neste fórum ao longo de mais de 24 meses, ao apresentar a temática da Gestão de Ativos segundo diversos ângulos, vivências e referências do Setor.

 

É tempo, agora, de fazer uma pausa, agradecendo à equipa do Ambiente Online a oportunidade proporcionada, e aos leitores todo o feedback que fui recebendo ao longo deste período. E, quem sabe… até breve!

 

Ana Luís é Engenheira Civil (1996, IST), Mestre em Engenharia Mecânica (1999, IST) e Doutorada em Gestão do Risco (2014, Universidade de Cranfield). Em 1996 integrou os quadros da Gibb Portugal, onde participou/ coordenou projetos nas áreas de regularização fluvial, planos de segurança de barragens, planos de bacia, sistemas de informação geográfica, conceção de sistemas de abastecimento de água, entre outros. Em 2006 integrou os quadros da EPAL, tendo participado na génese da Gestão de Ativos e desenvolvido modelos de análise de risco e multicritério para apoio à decisão sobre os investimentos. É, atualmente, a responsável pela Direção de Gestão de Ativos da EPAL. As opiniões expressas neste artigo vinculam apenas a autora.

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