Colunista Ana Luís (Água-Gestão de Ativos): Em 2017, todos os caminhos vão dar à Noruega ou ao Chile

28.07.2016

Em 2017, completar-se-ão 10 anos desde o primeiro LESAM – Leading Edge Strategic Asset Management –, evento bienal organizado pela IWA.

 

Tive a satisfação de participar como oradora nesse primeiro evento, que teve lugar aqui em Lisboa, e do qual mantenho uma memória bem viva. Em particular, porque ao contrário de outros congressos ou seminários sobre Gestão de Ativos a que já tinha assistido no Reino Unido, o LESAM 2007 terminou com uma sessão de reflexão, na qual os participantes identificaram, para diferentes temáticas, os respetivos desafios e perspetivaram formas de os ultrapassar. 

 

Aberto o anúncio para o LESAM 2017, que terá lugar em Trondheim, Noruega, de 20 a 22 de Junho, propus-me a mim mesma o duplo exercício de (i) perceber se os desafios então identificados se mantêm atuais ou se já foram, efetivamente, ultrapassados; (ii) comparar os temas objeto de comunicações nos dois eventos, por forma a identificar alguma possível evolução.

 

Pois bem, os principais desafios identificados no LESAM 2007 incidiam, de uma forma geral, em melhorias ou aumento do conhecimento a nível de: gestão do risco corporativo; trade-off “reparar vs substituir”; linguagem comum; relação condição / funcionalidade dos ativos; relação do comportamento do ativo individual com o do sistema como um todo; enquadramento regulatório; gestão da informação.

 

Nove anos volvidos, podemos afirmar que, não obstante ter havido evoluções positivas, muitos destes temas constituem ainda desafios para as entidades gestoras.

 

Talvez por isso os temas propostos para o LESAM 2017 não sejam assim tão diferentes dos de 2007: apesar de “ter caído” o tópico relativo a “abordagens globais à Gestão de Ativos” (quiçá fruto do lançamento da ISO55000/1/2) e de terem surgido os tópicos relativos à “gestão da energia” e às “expectativas dos consumidores”, mantêm-se, na generalidade, os restantes tópicos (em linha com os desafios atrás enumerados).

 

Curiosamente, observa-se que apesar de os grandes temas de 2007 continuarem a fazer parte da agenda, os mesmos são agora apresentados numa perspetiva mais ampla e integrada – ex.: de “Target definition and assessment of performance” passou-se para “Short and long-term planning and prioritization (risk management, performance modeling, multi-criteria decision analysis)”.

 

Permito-me interpretar que tal não será por acaso. A meu ver, o “desafio dos desafios” é, precisamente, o de conseguir alinhar todos estes tópicos entre si e embebê-los na realidade prática das empresas, por forma a extrair valor dos ativos.

 

...

 

2017 é, também, o ano em que a IWA promove um outro evento relacionado com Gestão de Ativos, a ter lugar em Santiago do Chile, de 26 a 28 de Abril – a conferência “Infrastructure Asset Management & Utility Bankability”.

 

Para além de abordar, de um modo geral, tópicos semelhantes aos do LESAM 2017, esta conferência pretende ainda incluir temas mais direcionados para o papel da Gestão de Ativos na sustentabilidade económica das empresas, tais como “Análise de Custo de Ciclo de Vida”, “Priorização de Investimentos” e “Articulação de Soluções de Financiamento no curto e longo prazo com a estratégia de Gestão de Ativos”.

 

É de salutar, esta iniciativa conjunta do grupo especializado de “Strategic Asset Management” da IWA e do grupo congénere de “Statistics and Economics”. Tal como já referi noutras ocasiões, subsiste ainda alguma falta de comunicação e de visão partilhada entre “engenheiros” e “financeiros”, apesar de o sucesso da Gestão de Ativos depender, efetivamente, da articulação entre ambos.

 

Fica assim o repto para a participação dos leitores nestes eventos, que se adivinham interessantes. Já agora: aproveitando a época estival, que nos permite sossegar das ocupações correntes, porque não pensar em partilhar experiências?

 

Os prazos para submissão de resumos para o LESAM 2017 e para a conferência “Infrastructure Asset Management & Utility Bankability” são, respetivamente, 30.09.2016 e 15.08.2016.

 

Boas férias!

 

Ana Luís é Engenheira Civil (1996, IST), Mestre em Engenharia Mecânica (1999, IST) e Doutorada em Gestão do Risco (2014, Universidade de Cranfield). Em 1996 integrou os quadros da Gibb Portugal, onde participou/ coordenou projetos nas áreas de regularização fluvial, planos de segurança de barragens, planos de bacia, sistemas de informação geográfica, conceção de sistemas de abastecimento de água, entre outros. Em 2006 integrou os quadros da EPAL, tendo participado na génese da Gestão de Ativos e desenvolvido modelos de análise de risco e multicritério para apoio à decisão sobre os investimentos. É, desde 2008, responsável pela Unidade de Planeamento de Ativos da Direção de Gestão de Ativos, e entre 2010 e 2014 coordenou o GAC – Grupo para o estudo das Alterações Climáticas da EPAL. As opiniões expressas neste artigo vinculam apenas a autora.

TAGS: Opinião , Ana Luís , gestão de ativos , água
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