António Sá da Costa (Energia - Renováveis): A eletricidade renovável continua a poupar milhões à nossa economia

05.02.2016

O ano de 2015 foi um ano seco em contraste com o ano anterior que tinha sido bastante húmido. Este facto reflete-se no coeficiente de hidraulicidade publicado pela REN que comparando os dois anos apresentou uma redução quase para metade, 0.74 em 2015 contra 1.35 em 2014.

 

Isto levou a uma quebra na contribuição da eletricidade renovável, tendo contudo esta sido ligeiramente superior à eletricidade fóssil. Esta oscilação entre anos húmidos e anos secos faz com que a hidroeletricidade seja a principal fonte nos anos húmidos e a terceira nos anos secos, trocando posições com a eletricidade com origem no carvão. Quem se mantém sempre numa posição cimeira, a aproximar-se da liderança independentemente da natureza do ano, é a eletricidade eólica, demonstrando a sua constância interanual.

 

A produção de eletricidade de origem renovável em 2015 permitiu poupar 1 167 milhões de euros, repartidos em 1 099 milhões de euros na importação de combustíveis fósseis (gás natural e carvão) e 68 milhões de euros em licenças de emissão de CO2, valores ligeiramente inferiores a 2014 dado o preço dos combustíveis fósseis ter sido mais baixo e o ano hidrologicamente seco.

 

Se analisarmos os últimos cinco anos as poupanças acumuladas totalizam 6 800 milhões de euros, isto é, uma média anual de 1 360 milhões de euros. São números muito significativos, principalmente quando comparado com alguns custos “inesperados” que a nossa economia tem tido nos últimos tempos.

 

Este é mais um argumento que deve ser bem divulgado a fim de que se perceba que o impacto da eletricidade renovável vai muito para além de ser uma “coisa na moda”, pois de facto contribui para a sustentabilidade da nossa sociedade, tanto do ponto de vista ambiental com a redução das emissões de gases e partículas poluentes, como do ponto de vista de balanço económico, reforçando que:


Portugal precisa da nossa energia.

 

António Sá da Costa é presidente da APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis e Vice-Presidente da EREF – European Renewable Energy Federation e da ESHA – European Small Hydro Association. Licenciou-se como Engenheiro Civil pelo IST- UTL (Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa) (1972) e tem PhD e Master of Science pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology (USA) em Recursos Hídricos (1979). Foi docente do IST no Departamento de Hidráulica e Recursos Hídricos de 1970 a 1998, tendo sido Professor Associado durante 14 anos; tem ainda leccionado disciplinas no âmbito de cursos de mestrado na área das energias renováveis, nomeadamente na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Portalegre; Exerceu a profissão de engenheiro consultor durante mais de 30 anos, sendo de destacar a realização de centenas de estudos e projectos na área das pequenas centrais hidroeléctricas; Foi fundador do Grupo Enersis de que foi administrador de 1988 a 2008, onde foi responsável pelo desenvolvimento de projectos no sector eólico e das ondas e foi Vice-Presidente da APE – Associação Portuguesa da Energia de 2003 a 2011.O autor escreve, por opção, ao abrigo do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. 

TAGS: Opinião , António Sá da Costa , energia , renováveis , electricidade
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