Colunista António Sá da Costa (Energia - Renováveis): Celebrar Portugal com orgulho

08.11.2016

A propósito da escolha de António Guterres para Secretário Geral da ONU uma revista semanal publicou no passado dia 13 de outubro um artigo intitulado “73 razões para celebrar Portugal com orgulho”. Claro que me sinto orgulhoso por ser português por muitas razões, algumas mencionadas na edição da revista Visão desse dia, e por outras que não são aí mencionadas. Claro que também me sinto orgulhoso por ter como Secretário Geral da ONU um português, em especial um que foi meu colega de liceu e no 1º ano do Técnico, com quem costumava estudar.

 

Muitas das razões são conhecidas e variam entre as de ordem política, de natureza histórica e económica, para além da relacionada com a marca que mais um português deixa no mundo contemporâneo.

 

Contudo há uma que me deixou particularmente orgulhoso. É a razão nº 63 e passo a transcrever: “Na vanguarda da Energia Limpa – Os parques eólicos invadiram vales e montanhas e os painéis solares as planícies alentejanas. As mini-hídricas interromperam rios, mas criaram boas reservas de água. Vento, sol e água são a base para a produção de energia limpa, que não se esgota. A aposta pôs-nos no pelotão da frente das renováveis, que hoje é responsável por mais de metade (53.2%) da energia cá produzida. Já temos um saldo exportador positivo para Espanha.

 

Uma ressalva para a imprecisão jornalística que usa a palavra energia para significar eletricidade, e para a percentagem das renováveis que se situa na casa dos 52%, como o atestam as últimas publicações da DGEG. Contudo não posso ficar mais orgulhoso por esta razão constar da lista.

 

E fico orgulhoso pelo feito em si, mas mais ainda por ter contribuído, embora que modestamente, para que Portugal esteja onde está nesta questão da eletricidade renovável. Mas isso não é razão para não continuar a lutar por passar os 52% de eletricidade renovável em 2015, para 80% em 2030 e depois 100% em 2040. Ainda há muito caminho a percorrer.

 

Temos de ter um fio condutor para cumprir estes objetivos, temos de ter uma visão do que queremos, temos de a discutir e procurar soluções. Por isso no próximo dia 16 de novembro no Centro de Congressos do Estoril na conferência da APREN sob o título: “Visões da eletricidade renovável”, debateremos as visões que irão ajudar-nos a construir o futuro da eletricidade em Portugal, aproximando-nos do objetivo 100% renovável, com todas as vantagens que isso trará para o País, tendo sempre em vista que:

 

Portugal precisa da nossa energia.


António Sá da Costa é presidente da APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis e Vice-Presidente da EREF – European Renewable Energy Federation e da ESHA – European Small Hydro Association. Licenciou-se como Engenheiro Civil pelo IST- UTL (Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa) (1972) e tem PhD e Master of Science pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology (USA) em Recursos Hídricos (1979). Foi docente do IST no Departamento de Hidráulica e Recursos Hídricos de 1970 a 1998, tendo sido Professor Associado durante 14 anos; tem ainda leccionado disciplinas no âmbito de cursos de mestrado na área das energias renováveis, nomeadamente na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Portalegre; Exerceu a profissão de engenheiro consultor durante mais de 30 anos, sendo de destacar a realização de centenas de estudos e projectos na área das pequenas centrais hidroeléctricas; Foi fundador do Grupo Enersis de que foi administrador de 1988 a 2008, onde foi responsável pelo desenvolvimento de projectos no sector eólico e das ondas e foi Vice-Presidente da APE – Associação Portuguesa da Energia de 2003 a 2011.

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