Colunista António Sá da Costa (Energia-Renováveis): 2019 é ano de mudança na eletricidade renovável

16.01.2019

Como tem sido meu hábito aproveito o primeiro artigo do ano para fazer o balanço de eletricidade renovável do ano anterior, salientando os factos mais importantes que tiveram lugar durante 2018.

 

Na sequência da assinatura por Portugal do acordo de Paris que prevê a progressiva descarbonização da economia e da promessa que o nosso Primeiro Ministro fez de que o nosso País será neutro de carbono em 2050, objetivo que suporto inteiramente, foi lançado no início de dezembro passado o RNC 2050 (Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050).

 

Este foi quanto a mim o facto mais relevante de 2018 para o setor da energia em Portugal e que vai potenciar uma profunda mudança no setor da eletricidade renovável.

 

Já tive oportunidade de escrever, de que ouvir o Ministro Matos Fernandes secundado por todos os seus secretários de estado, a apresentar e defender este documento foi um passo importante pois não é comum termos objetivos, políticas e medidas a tão longo prazo, desta vez a 30 anos.

 

São os objetivos de longo prazo, que dão confiança aos investidores para investir em Portugal. São os objetivos de longo prazo que traçam compromissos políticos para lá dos quatro anos duma legislatura. Mas claro que isto não chega, é preciso definir como se vai percorrer esse caminho que liga o dia de hoje ao ano de 2050. Faltam pouco mais que 30 anos. Parece muito, mas não é. Temos de apressar o nosso passo se não queremos ser surpreendidos pela inação.

Já sabemos para onde temos de ir, mas o primeiro passo vai ser o que se vai fazer até 2030, este passo é o mais importante, e é aquele que precisa de ser mais detalhado. Espera-se que em breve seja a presentado o PNEC 2030 (Plano Nacional de Energia e Clima 2030), e aí vão ser definidas as metas e trajetórias para a próxima década, a que se seguirá a definição das etapas anuais.

 

Isto deve-nos deixar com uma grande esperança, não só para 2019 mas para toda a década que se segue.

 

Como é o primeiro artigo do ano não posso deixar de referir alguns números do balanço de 2018. Neste ano o balanço com Espanha traduziu-se num saldo exportador de 2,7 TWh, ou seja cerca de 5 % do consumo e igual ao de 2017, mas metade do saldo de 2016.

 

Se analisarmos a forma como o consumo nacional de eletricidade foi satisfeito no ano passado verifica-se que a produção das centrais renováveis atingiu 29.3 TWh, isto é 55.8% do consumo nacional. Foi uma subida significativa relativamente a 2017, mais 6.4 TWh, justificado por 2018 ter sido um ano com o coeficiente de hidraulicidade ligeiramente acima da média (1.05) que contrasta com os 0.45 do ano anterior.

 

Desta produção renovável a eletricidade hídrica representa o mais elevado com 26.3% do consumo em Portugal Continental. A eletricidade de origem eólica representou 24.3% daquele consumo, seguida da biomassa com 5,4 % do consumo nacional. A solar fotovoltaica teve uma contribuição de apenas 1,6 % no mix nacional, o que ainda é baixo face ao potencial nacional.

 

De salientar que o ano de 2018 foi o ano que menos potência em novas centrais renováveis foi instalada o que denota a necessidade de rever a política atual o que terá de ser feito muito rapidamente sob pena de colocarmos em risco os compromissos assumidos pelo País.

Votos de um 2019 cheio que energia renovável, pois mais do que nunca: Portugal precisa da nossa energia.

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