Colunista António Sá da Costa (Energia-Renováveis): Eletricidade renovável baixa preço de mercado

31.03.2017

Diz o ditado “em abril águas mil”, mas nem sempre é assim. Por exemplo em abril do ano passado o coeficiente de produtividade hidroelétrica foi de 2.24, isto é mais do dobro da média, mas se nos reportarmos por exemplo ao mesmo mês de 2011 foi de 1.1. Como consequência imediata nesse mês de 2016 as fontes renováveis representaram 95.5% do consumo e em 2011 esta percentagem foi apenas de 54.4%.

 

Se detalharmos a repartição temos que no que respeita a hidroeletricidade em 2016 foi responsável por 60% do consumo e em 2011 por 30.9%; no que respeita à eólica os valores foram respetivamente 27.7% e 17.8%, já a bioeletricidade manteve-se igual nos dois anos com o valor de 5.1% e a solar foi de 1.7% versus 0.6%, mas esta variação deve-se ao aumento da potência. Agregando os valores da energia que tem tarifa feed-in (PRE-FER) pode dizer-se que as percentagens foram de 26.2% em 2011 e de 39.9% em 2016.

 

Também nestes meses a importação contribuiu em 2011 com 12.8% e as centrais fósseis com os restantes 32.8%. Em 2016 estes valores foram respetivamente -18.0%, isto é o saldo foi exportador, e 22.7%. Estas percentagens estão referidas ao consumo nacional. Também deve ser referido que em abril de 2011 o consumo nacional foi de 3.9 TWh e em 2016 4.1 TWh, isto é um aumento de cerca de 5%.

 

Como consequência direta desta composição no mix de produção vem a redução do preço de mercado, pois em abril de 2011 o preço médio foi de 46.85€/MWh ao passo que com 95.5% de renovável em abril de 2016 o preço de mercado se reduziu para cerca de metade para 23.50€/MWh.

 

Isto quer dizer que comparando o mês de abril destes dois anos, e como os preços dos combustíveis fósseis tiveram preços semelhantes nestes dois períodos, as poupanças induzidas por um aumento de renováveis foram de cerca de 96 M€, mas nesta comparação o sobrecusto da PRE-FER foi de 85 M€, ou seja, registou-se um saldo líquido de 11 M€ neste mês ou, por outras palavras, a poupança média foi de um pouco mais de 15 000 €/h.

 

A estes valores deverá ainda ser acrescentado o impacto que estas formas de produzir eletricidade tiveram na diminuição na importação de combustíveis fósseis e na aquisição de licenças de emissão.

 

E ainda há quem diga que as renováveis são caras …

 

Não só não são, como devemos ter sempre presente que:


Portugal precisa da nossa energia.


António Sá da Costa é presidente da APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis e Vice-Presidente da EREF – European Renewable Energy Federation e da ESHA – European Small Hydro Association. Licenciou-se como Engenheiro Civil pelo IST- UTL (Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa) (1972) e tem PhD e Master of Science pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology (USA) em Recursos Hídricos (1979). Foi docente do IST no Departamento de Hidráulica e Recursos Hídricos de 1970 a 1998, tendo sido Professor Associado durante 14 anos; tem ainda leccionado disciplinas no âmbito de cursos de mestrado na área das energias renováveis, nomeadamente na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Portalegre; Exerceu a profissão de engenheiro consultor durante mais de 30 anos, sendo de destacar a realização de centenas de estudos e projectos na área das pequenas centrais hidroeléctricas; Foi fundador do Grupo Enersis de que foi administrador de 1988 a 2008, onde foi responsável pelo desenvolvimento de projectos no sector eólico e das ondas e foi Vice-Presidente da APE – Associação Portuguesa da Energia de 2003 a 2011.

TAGS: Opinião , António Sá da Costa , energia , renováveis
Vai gostar de ver
VOLTAR