Colunista convidada Ana Paula Teixeira (Água): Do limão fazer limonada

16.03.2017

Sua Excelência o senhor Presidente da República, promulgou o decreto-lei que procede à criação dos sistemas multimunicipais de saneamento da Grande Lisboa e Oeste e da Península de Setúbal, bem como das respetivas entidades gestoras Águas do Tejo Atlântico e Simarsul, por cisão da Águas de Lisboa e Vale do Tejo.

 

O sector que é indubitavelmente um caso de sucesso na melhoria das condições de vida dos cidadãos, reconhecido nacional e internacionalmente, vai ser objeto de novas alterações. O intuito é apenas, a gestão do ciclo da água, numa lógica de coesão territorial, sustentabilidade ambiental, social e económica. Cuidar, proteger e preservar os nossos recursos hídricos para as gerações vindouras, é uma responsabilidade e uma missão nobre. Que se subdivide em múltiplos outros: prestar um serviço de qualidade aos cidadãos e ao ambiente a custos sustentáveis, e estabelecer a equidade tarifária entre o litoral e o interior mais desertificado, dar protagonismo próprio e legítimo aos atores principais na gestão do território.

 

Para atingir estes objetivos contamos com os ativos que as empresas detêm e com estratégias de gestão que permitam extrair dos mesmos o melhor! Nestes ativos incluem-se também as pessoas, que novamente, num curto espaço de tempo se vêm a braços, com outra mudança. Mudança de local de trabalho, de objeto de trabalho, de equipa, etc, etc……….. A vida é feita de mudanças, já diz a canção. Mas o contexto de mudança é também ele gerador de incerteza, instabilidade, insegurança, e outros ins… que não vale a pena, aqui, exaustivamente enunciar. Em ambiente de mudança há também um leque de oportunidades que se nos abre, de pensar fora da caixa, de ajustar o planear e o agir para conseguir atingir as metas e os objetivos, que se nos propõe, com os meios, quase sempre escassos de que dispomos.

 

Agora que chegou a primavera veio-me à memória, uma frase que ouvi recentemente: - Do limão fazer limonada.

 

Eis, que está aqui, atrevo-me a dizer, a solução! Depois do amargo de boca inicial, que sempre uma situação destas, comporta, ora bolas agora que já estava tudo a entrar nos eixos, no ritmo, ou na rotina, vamos ter que mudar tudo outra vez. Quando? Como? Com quem? À primeira questão enunciada, já sabemos, depois das assembleias gerais. Falta o Como? E com quem?

 

Pois é, não vai ser fácil, as infraestruturas estão dispersas, as áreas de negócio são distintas, os meios são escassos. É aqui e agora que fazendo uso do “engenho lusitano” é preciso transformar o limão em limonada. Com os meios de que dispomos, no território que temos, saber como tirar o maior rendimento dos ativos, sejam eles infraestruturais ou humanos, há muito saber acumulado, ao longo das últimas décadas que é preciso, mais do que nunca, por a render. Não podemos perder esta oportunidade.

 

Estou certa, que no atual contexto, apesar de todas as incertezas associadas à mudança, o setor vai saber fazer acontecer! 

 

Ana Paula Teixeira é Mestre em Engenharia e Gestão de Tecnologia (2000, IST). Em 2002 integrou os quadros da SimTejo - Saneamento Integrado do Tejo e Trancão, onde participou em vários projetos nas áreas de operação de sistemas de tratamento de águas residuais, planos de operação e manutenção, modelação de drenagem urbana, reutilização de águas residuais, otimização energética de sistemas de tratamento biológico, indicadores de desempenho-Past21. Cooperou com a ANEQP no desenvolvimento dos perfis profissionais e referencial de formação de operador e técnico de ETA/ETAR. Em 2015 integrou os quadros da AdLVT. Desenvolve atualmente atividade na Direção de Gestão de Ativos da EPAL – Departamento de Gestão de Perdas e Afluências indevidas. É presidente da SC2 da CT90*. As opiniões expressas neste artigo vinculam apenas a autora.


*A CT 90 é o órgão técnico que visa a elaboração de documentos normativos e a emissão de pareceres normativos no domínio dos sistemas urbanos de água, tendo sido criado em 1990 pelo IPQ. A subcomissão 2 (SC2) – Sistemas de águas residuais acompanha o trabalho desenvolvido no âmbito dos comités técnicos europeus com atividade relevante para os sistemas urbanos de água CEN/TC165). 

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