Colunista convidada Joana Garoupa: A descarbonização da economia também passa pela educação

11.06.2018

Numa altura em que são inegáveis os impactos associados às alterações climáticas, e atendendo aos compromissos de Portugal para com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030, é crucial que as empresas, em especial as do setor energético, canalizem esforços na transição para a descarbonização da economia, investindo cada vez mais em tecnologias de baixo carbono.

 

Neste sentido, a satisfação das necessidades energéticas do futuro, de uma forma eficiente e responsável, tem de ter presente os grandes desafios que se colocam em matéria de energia e clima. Acreditamos que uma estratégia de desenvolvimento sustentável é a única via de garantir não apenas uma maior competitividade, como a antecipação e a gestão de oportunidades e riscos relacionados com o aumento global da temperatura. Por isso, acreditamos também que a transformação estrutural da procura de energia na economia global implica a criação de soluções inovadoras e tecnológicas sustentáveis nas três importantes vertentes – económica, ambiental e social -, pelo que as empresas devem, sem dúvida, apostar ativamente na investigação, mas igualmente na educação das comunidades, em particular das crianças e jovens estudantes por serem os principais agentes da mudança de comportamentos. Serão eles os consumidores, os técnicos, os investigadores, os empresários do futuro, e é neles que apostamos para a construção de uma sociedade que valoriza e promove um consumo mais sustentável da energia.  

 

Como grande motor do desenvolvimento humano, social e económico, a educação merece uma atenção redobrada por parte da Galp. Prova disso são os diversos projetos com impacto positivo nas comunidades, dos quais se destacam os programas educativos que temos vindo a implementar nas escolas de todo o País, desde 2010. Nesse ano, lançámos o projeto Missão UP para os alunos do 1º ciclo. Seguiu-se, em 2014, o Power UP, para os alunos do 2º e 3º ciclo. E, no ano letivo que ainda está em curso, desafiámos os estudantes do Ensino Secundário, incluindo os do Ensino Profissional, a participarem no Switch UP.

 

São três projetos distintos, desde logo pelo público-alvo a que se destinam e pelas atividades a realizar em meio escolar, mas todos têm um objetivo comum: promover a alteração de comportamentos para um menor desperdício dos recursos energéticos e um consumo mais sustentável da energia. Todos têm uma missão importante, mas, por este ser o primeiro ano letivo em que decorre, destaco o Switch UP, que potencia o espírito empreendedor dos alunos. Através de um concurso, este projeto promove a constituição de clubes nas escolas para o desenvolvimento de projetos, discussão de ideias, envolvimento da comunidade e partilha de atividades relacionadas com a eficiência energética. As profissões associadas à sustentabilidade têm cada vez maior relevância no mercado de trabalho, pelo que considerámos que os desafios lançados aos jovens no âmbito deste projeto deviam ter isso em conta.

 

A aposta na educação tem sido o pilar da estratégia de sustentabilidade da Galp. Só nos últimos sete anos foram investidos cerca de três milhões de euros em projetos educativos, entre verbas próprias da empresa e incentivos à eficiência energética, através de medidas financiadas no âmbito do Plano de Promoção de Eficiência Energética no Consumo de energia elétrica e aprovadas pela ERSE. Durante o mesmo período de tempo facultámos mais de 3.500 aulas de energia a 1,3 milhões de alunos. Estamos certos de que os estudantes que assistiram a estas aulas chegarão um dia ao mercado de trabalho com uma visão e um comportamento mais ajustado aos desafios que a sustentabilidade energética impõe. De resto, isso é já bem visível nos projetos ambiciosos que muitos alunos do Ensino Secundário desenvolveram ao longo deste ano letivo, no âmbito do Switch UP.

 

Com os projetos já concluídos, a próxima fase que se apresenta aos estudantes do Ensino Secundário que responderam ao desafio lançado pelo Switch UP é o concurso que se realizará em breve, antes do final do ano letivo, e que levará o clube vencedor a Silicon Valey, nos Estados Unidos, região onde estão as maiores empresas mundiais de tecnologia. Os projetos apresentados a concurso são muitos e de muita qualidade. Escolher o melhor não vai ser fácil, mas aguardamos com muita expetativa esse dia.


Joana Garoupa é diretora de Comunicação e Marketing da Galp.

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