Colunista convidado Collares Pereira: Tempus fugit (!) e as alterações climáticas

05.12.2018

Tempus fugit (!) e a questão das alterações climáticas agrava-se. Para além dos sinais mais visíveis (mais e maiores tempestades, mais e maiores períodos de seca, estações do ano que se esbatem ou acontecem mais cedo) há muito outros que se vão manifestando de forma cada vez mais insidiosa. Os “negacionistas”, os que se intitulam cientistas/especialistas, sempre foram esmagadoramente poucos e são cada vez menos (embora pareçam mais, pela amplificação que é dada à sua voz, por via das empresas tradicionais dos combustíveis fósseis, desinteressadas de qualquer mudança).  

Os políticos (e, claro, não me refiro aos outros três companheiros da aventura de perguntas e respostas para o Fórum Energia do jornal Água&Ambiente) lá vão ouvindo, os mais sensíveis a solidarizarem-se com urgências afirmadas em cimeiras de todo o tipo, mas, lá no intimo, sem qualquer vontade de actuar; actuar sobre o que, no fundo, não conhecem e consideram, até, ser arriscado conhecer a fundo… pois ficariam demasiado comprometidos/condicionados (?!).

O cidadão, esse, gostava mesmo era de continuar numa senda de desenvolvimento pessoal (consumo!) que, agora, lhe dizem não ser sustentável e, quando começa a entender o que é isso de sustentabilidade, percebe que vai exigir uma mudança muito grande nos seus padrões de consumo e, portanto, algo que, se puder ir adiando, tanto melhor. Quanto muito, o cidadão olha para os políticos para que estes lhe “sirvam” uma solução concreta. Mas, depois, encolhe os ombros e aguarda: “se nem eles sabem o que fazer”; os políticos,  por sua vez, preferem passar a ideia de que , agora,  mudar é ainda muito caro e difícil, como propalam as  empresas dos fósseis. E (“afinal quem sabe…?”) se os “negacionistas” tiverem mesmo razão?... E, depois, um tufão devastador nas Filipinas, não chega a Fornos de Algodres: “Virgem Santíssima! Chega para lá essa boca!”.

Manuel Collares Pereira é investigador, professor na Universidade de Évora e presidente do IPES- Instituto Português de Energia Solar.

 

 

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