Colunista João Peças Lopes (Energia-Tecnologia): Grandes oportunidades para a indústria do setor elétrico

02.03.2017

As ameaças resultantes das alterações climáticas obrigarão a que a economia mundial e a sociedade em geral acomodem uma forte descarbonização. Em termos energéticos esse movimento só será possível se caminharmos no sentido de uma maior eletrificação da economia, uma vez que esta é a forma mais eficiente e flexível para promover essa mudança.

 

Esta descarbonização só terá lugar se forem exploradas energias renováveis, convertendo-as em eletricidade, substituindo assim os combustíveis fósseis em vários setores da atividade económica e nomeadamente no setor da mobilidade.

 

Assim o setor elétrico enfrenta atualmente grandes desafios e oportunidades que resultam do previsível crescimento do consumo e de uma maior utilização de fontes primárias renováveis, caraterizadas por variabilidade temporal e onde será necessário utilizar novos sistemas de conversão de energia baseados em eletrónica de potência. A utilização destes sistemas reduzirá a inércia e as correntes de curto-circuito no sistema elétrico, exigindo o desenvolvimento de soluções avançadas de controlo aos conversores de potência para mitigar estes problemas.

 

Simultaneamente, as preocupações com a necessidade em assegurar elevados níveis de segurança de abastecimento de eletricidade, com elevada qualidade de serviço, em ambiente de mercado, e num quadro de mudança onde os consumidores terão um papel central exigirão a utilização intensiva de tecnologias de informação e das comunicações, novas metodologias de planeamento e novas ferramentas de exploração do sistema elétrico. Tal conduzirá também a mudanças regulatórias e de estrutura dos mercados de eletricidade.

 

Tudo isto só será possível investindo fortemente em investigação, desenvolvimento e inovação, tendo as Universidades e as instituições do sistema científico e tecnológico um papel crucial para assegurar o sucesso desta transição.

 

Os próximos anos serão assim de grande mudança, pretendendo-se conduzir o sistema elétrico para uma situação de quase 100% de produção de eletricidade utilizando fontes renováveis. O consumidor será simultaneamente produtor e adaptará parcialmente o seu consumo à oferta da produção, situação totalmente oposta à atual.

 

Tudo isto oferece grandes oportunidades para a criação de emprego altamente qualificado no setor energético, sendo que em Portugal há capacidade para formar os técnicos e gestores do sistema energético do futuro.

 

João Peças Lopes é administrador do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) e Professor Catedrático da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. É doutorado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores e foi responsável por dezenas de projetos nacionais ou europeus nesta área, tais como a definição de especificações técnicas para a integração de energia eólica no Brasil. É vice-presidente da Associação Portuguesa de Veículos Elétricos. 

TAGS: João Peças Lopes , opinião , energia , tecnologia
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