Colunista José Pedro Matos (Água-Tecnologia): A tecnologia ao serviço da gestão de ativos físicos

18.02.2016

Tenho, neste espaço, tendência para privilegiar as áreas do abastecimento e da distribuição de água, matérias em que me sinto mais confortável. Considero esta tendência injusta e, numa tentativa de equilibrar as temáticas abordadas, conto neste artigo com a contribuição inestimável do Prof. Vitor Sousa, do Instituto Superior Técnico.

 

Se nas últimas décadas se assistiu, em Portugal e noutros países da Europa, a um esforço para atingir metas de taxas de atendimento estabelecidas pela UE, cada vez mais se coloca o desafio de como retirar o máximo valor dos sistemas existentes. Neste contexto, a gestão de ativos físicos tem emergido e, para além dos aspetos políticos, estratégicos ou organizativos, o seu sucesso está intimamente ligado à capacidade de acompanhar, compreender e tirar o melhor partido do vasto leque de ferramentas e tecnologias atuais.

 

A informação é primordial e, nesse campo, os sistemas de informação geográfica (ou SIG) são uma ferramenta indispensável para centralizar, cruzar e comunicar informação.

 

A monitorização e a modelação do comportamento dos sistemas providenciam as bases para a gestão proactiva. Para além das tradicionais inspeções visuais (diretas ou por CCTV), existem atualmente ferramentas complementares recorrendo a ultrassons, sonar ou laser que potenciam uma melhor avaliação da condição dos componentes. Os dados obtidos por inspeção, complementados com registos de falhas e dados de cadastro, podem permitir compreender o comportamento estrutural dos sistemas. Se a interpretação pericial da informação disponível é, geralmente, complexa, existem atualmente muitos modelos para auxiliar essa tarefa.

 

Também no que concerne à intervenção física nos componentes dos sistemas as inovações tecnológicas têm sido abundantes. Novas técnicas vieram aumentar o leque de alternativas disponíveis para as intervenções a realizar, facilitando a opção de proceder a reparações pontuais, reabilitar ou substituir os componentes existentes.

 

Por último, enfrentando a complexidade dos sistemas, o volume de informação e a diversidade de valores envolvidos, surgiram várias ferramentas destinadas a auxiliar a tomada de decisões integrando as múltiplas dimensões do problema. Posicionando-se na interface entre a componente técnica de análise dos sistemas e a sua gestão operacional, têm o potencial para se revelar uma componente imprescindível da gestão das infraestruturas.

 

Num processo que se tem vindo a acelerar, as inovações e progressos tecnológicos permitem-nos enfrentar os novos desafios da prática com eficiência e eficácia crescentes. Estando a gestão de ativos a permear cada vez mais na gíria profissional do setor, é importante refletir sobre as ferramentas de enorme potencial que vão surgindo. No que concerne a ferramentas informáticas, dada existência de inúmeras alternativas gratuitas, a sua implementação aparenta ser mais limitada pelo capital humano do que financeiro. Coloca-se por fim a questão: será que as novas tecnologias estão a ser utilizadas e o seu pleno potencial é convenientemente aproveitado?

 

José Pedro Saldanha Matos licenciou-se em Engenharia Civil pelo IST (Instituto Superior Técnico) em 2008, tendo iniciado actividade profissional e de investigação na área do saneamento. No âmbito do doutoramento, desenvolvido no IST e na EPFL (Instituto Federal de Tecnologia Suíço em Lausanne) e concluído em 2014, a sua investigação passou a abranger também a hidrologia. Hoje exerce actividade na EPFL, onde estuda a quantificação de riscos, modelação de incerteza e a modelação sistemas de distribuição de água. O autor escreve, por opção, ao abrigo do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

TAGS: José Pedro Saldanha Matos , água , ativos físicos
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