Colunista Manuel Piedade (Resíduos - Tecnologia): Triagem ótica de vidro nas unidades de TMB

29.12.2015

As metas de reciclagem e retomas definidas para os SMAUT implicam, complementarmente às operações de recolhas seletivas e triagem de materiais, a adoção de tecnologias que permitam obter a partir dos resíduos recolhidos indiferenciadamente (RU), materiais de embalagens e matéria orgânica, neste último caso para produção de biogás e composto (nas unidades de digestão anaeróbia) e composto (caso nas unidades de tratamento biológico aeróbio).

 

Face àquelas exigências, os SMAUT adotaram de forma generalizada o processamento através de unidades de tratamento mecânico e biológico (TMB) de RU indiferenciados, sendo estes na primeira fase do processo sujeitos a operações de separação mecânica tendo em vista a recuperação das várias frações a valorizar.

 

Esta geração de instalações utiliza na separação mecânica dos materiais processos manuais e automáticos, nomeadamente equipamentos de leitura ótica, que permitem a triagem e recuperação de materiais recicláveis, fundamentalmente embalagens plásticas e metais.

 

Permanece, no entanto, por resolver na maioria destas instalações a separação de um material valorizável, o vidro, que, para além deste aspeto, apresenta o inconveniente de ser um contaminante dos restantes materiais valorizáveis, em particular do composto face à granulometria com que este é produzido.

 

A triagem ótica é já utilizada após a retoma do casco de vidro, de modo a descontaminá-lo dos materiais que poderão prejudicar a sua reciclagem do vidro no processo produtivo.

 

A utilização destes sistemas óticos diretamente na fase de tratamento mecânico dos TMB é uma operação que se poderá apresentar-se como interessante sobre dois pontos de vista:

 

  • Recuperação do casco da fração rejeitada com potencial para reciclagem, desde que garantidos os requisitos exigidos a este material
  • Descontaminação do composto e consequente melhoria da qualidade deste.

 

Em ambas as situações ter-se-á que avaliar quais as adaptações nos processos atuais de tratamento mecânico para que as eficiências a atingir garantam uma relação benefício-custo positiva e também o impacte da diminuição deste material em aterro e do seu reflexo na TGR.


Provocação do mês: A produção de CDR com os atuais processos instalados nas unidades de TMB será consequente face aos requisitos impostos pelo principal utilizador, a indústria cimenteira? Que alternativas face à incapacidade de escoamento para a referida indústria? Aterro ou valorização energética? Que tecnologias e processos a adotar?  

 

Manuel Piedade é licenciado em Engenharia Mecânica pelo IST e especialista em Engenharia Sanitária pela UNL. Foi Administrador de empresas da área do Ambiente (HIDROPROJECTO, AMBIENTSI, HIDROMINEIRA, ARABRANTES) e da área de manutenção industrial (MANVIA, MOTA-ENGIL_MANVIA - Diagnósticos Eléctricos , ACE, PFEIFFER-MANVIA , ACE). Foi docente da disciplina de resíduos sólidos em Mestrados da FCT da Universidade Nova de Lisboa e na Licenciatura em Engenharia do Ambiente da Universidade dos Açores. É Coautor do Guia Técnico nº 15 – Opções de gestão de resíduos urbanos, editado pela ERSAR. Foi sócio fundador da AMBIRUMO – Projetos, Inovação e Gestão Ambiental, Lda, empresa em que atualmente exerce funções de consultoria. O autor escreve, por opção, ao abrigo do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

TAGS: Opinião , Manuel Piedade , tecnologia , resíduos , triagem , vidro , TMB
Vai gostar de ver
VOLTAR