Colunista Manuel Piedade (Resíduos-Tecnologia): Planeamento da recolha de resíduos

29.06.2017

Na cadeia de processamento dos resíduos urbanos, a operação de recolha tem sido objeto de um tratamento de “parente pobre” comparativamente às operações a jusante.

 

É, hoje em dia, reconhecido que a complementaridade entre as diferentes operações de processamento dos resíduos é fundamental para que se atinjam as metas a que os SGR estão vinculados, sendo necessário começar a atuar a montante para garantir a eficácia dos resultados.

 

Nesta perspetiva, a recolha dos resíduos deverá garantir uma logística que contribua para a maximização da eficácia, nomeadamente através do aumento da recuperação de materiais recicláveis, da menor contaminação destes e subsequentemente permita a otimização das operações de triagem e valorização material.

 

Sendo previsível que, brevemente, os projetos de recolha, especialmente as seletivas porte-a-porta (PaP), venham a ser objeto de financiamento pelo POSEUR, interessa prepará-los para que possam beneficiar de apoio e acrescentar valor para o atingimento das metas a que os SGR se obrigam.

 

Nesse sentido deverá ser identificado o conjunto de boas práticas associadas à recolha PaP que podem potenciar o aproveitamento das múltiplas oportunidades associadas a estes projetos. Entre estas assume particular relevância o planeamento das diferentes fases do projeto.

 

Entre outros aspetos a considerar no planeamento, dever-se-á ter em conta:

  • Características habitacionais e meios de deposição adequados à respetiva tipologia
  • Número de frações a recolher seletivamente
  • Otimização da recolha com frequências adaptadas à tipologia de materiais e meios de deposição disponibilizados
  • Alargamento da frequência  da recolha da fração resto face à introdução das recolhas seletivas, com benefício direto em termos de redução de custos e indução de comportamentos favoráveis à separação de materiais recicláveis
  • Maximização e otimização de recursos e redução de custos através de sinergias entre as recolhas das diferentes frações, nomeadamente pela utilização de equipas e viaturas polivalentes
  • Desenvolvimento de uma estratégia e plano de comunicação sobre a recolha PaP, contemplando materiais formativos duráveis sobre a correta separação, e aproveitando para transmissão de mensagens sobre prevenção e redução da produção de resíduos
  • Preparação da conjugação do sistema de recolha PaP com o sistema PAYT, tendo em conta que este último é um fator de maximização dos resultados do primeiro.

 

Complementarmente deverá ser efetuada a adaptação da regulamentação municipal para que contemple os direitos e os deveres dos munícipes, incluindo o sistema de penalizações, em termos de separação e deposição de resíduos, bem como a obrigatoriedade dos projetos de edificação incluírem espaços reservados para a armazenagem de contentores.

 

Manuel Piedade é licenciado em Engenharia Mecânica pelo IST e especialista em Engenharia Sanitária pela UNL. Foi Administrador de empresas da área do Ambiente (HIDROPROJECTO, AMBIENTSI, HIDROMINEIRA, ARABRANTES) e da área de manutenção industrial (MANVIA, MOTA-ENGIL_MANVIA - Diagnósticos Eléctricos , ACE, PFEIFFER-MANVIA , ACE). Foi docente da disciplina de resíduos sólidos em Mestrados da FCT da Universidade Nova de Lisboa e na Licenciatura em Engenharia do Ambiente da Universidade dos Açores. É Coautor do Guia Técnico nº 15 – Opções de gestão de resíduos urbanos, editado pela ERSAR. Foi sócio fundador da AMBIRUMO – Projetos, Inovação e Gestão Ambiental, Lda, empresa em que atualmente exerce funções de consultoria.

TAGS: Opinião , Manuel Piedade , resíduos , tecnologia
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