Colunista Nuno Campilho (Água e Resíduos - Regulação): Vamos a banhos?

28.07.2017

Estamos a entrar naquele período a que alguns também chamam silly season, onde a tolerância para o disparate aumenta exponencialmente.

 

Como não vou escrever durante esse período e esta publicação é demasiado séria para os meus silly comments, vou (tentar) fazer um rescaldo deste primeiro semestre aquático-ambiental, numa altura em que, infelizmente, nada acontece, a não ser incêndios, incendiários e práticas militantes da "arte" da silly season, que são aqueles mesmos tipos que andam vestidos de Gata Borralheira o ano inteiro e decidem tirar, do armário, o fato de um qualquer super-herói da Marvel, nesta altura do ano.

 

Estou muito sensibilizado pela atuação e conduta do senhor Secretário de Estado do Ambiente. Tem demonstrado uma presença, proximidade e coerência notáveis, contribuindo para a resolução e para o alavancar da regularização de uma série de imbróglios, pendentes, ou impendentes e, por isso, merece todo o meu respeito, consideração e, como penso que não é segredo para ninguém (e muito menos, vergonha), amizade.

 

A forma como conduziu a cisão da Águas de Lisboa e Vale do Tejo e a consequente constituição da Águas do Tejo Atlântico e da Águas do Vale do Tejo, merece reflexão para atuais e, sobretudo, anteriores governantes. Um melhor e mais atento processo de indicação e nomeação dos respetivos órgãos sociais (onde Oeiras não fosse ostracizada, por exemplo), teria sido algo a roçar a perfeição.

 

Se, porventura, passado o período eleitoral autárquico, o senhor Secretário de Estado conseguisse "put your money where your mouth is" (passe a brejeirice) no processo da gestão da rede pluvial, acompanhando as declarações públicas do Senhor Ministro Ministro do Ambiente em relação à gestão do ciclo urbano da água, tendo afirmado que deve passar a incluir a rede de águas pluviais e cito, «temos que gerir a rede de águas pluviais com a importância que foi atribuída à rede de abastecimento de água e águas residuais (porque) só através da inclusão da rede de águas pluviais se completa o ciclo urbano da água», talvez, então, conseguíssemos legislar sobre isso (não antecipem a silly season, já vi legislação muito mais inoportuna e disparatada em outros setores, e também neste, portanto não vale a pena virem com "tretas", pois se se legisla, a metro, sobre a gestão das florestas, com os resultados que se vêem, porque não fazê-lo a este propósito?).

 

Estariam, então, criadas as condições para a ERSAR desatar o nó górdio que estrangula a gestão pura, dia-a-dia, desta "área de negócio", que algumas entidades, em boa hora, decidiram assumir, em prol de um continuado serviço de excelência às respetivas populações.

 

Até porque, valha a verdade e faça-se justiça, o Senhor Secretário de Estado já deu a solução para a sanha persecutória, perdão, regulatória da ERSAR - que insiste na necessidade de garantir uma componente de receita, que integre os custos a assumir, pelas entidades gestoras, com a integração da gestão e manutenção da rede pluvial - através da proposta da criação de uma tarifa de drenagem. Eu aplaudo e, no que aos serviços que me encontro a dirigir diz respeito, vou aderir.

 

Depois da ida a banhos, do curto período de ode ao disparate, com o feliz dealbar dos incêndios e com a consolidação dos novos mandatos autárquicos, sequemo-nos, penduremos os calções de banho e a toalha de praia, let's put our suit and tie, and get to work.

 

Boas férias!

 

Nuno Campilho é licenciado em Relações Internacionais pela Universidade Lusíada e Pós-graduado em Comunicação e Marketing Político e em Ciência Política e Relações Internacionais. Possui ainda o Executive MBA do IESE/AESE. Foi presidente da União das Freguesias de Oeiras e São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias e consultor especializado em modelos de gestão de serviços públicos de água e saneamento. Foi administrador dos SMAS de Oeiras e Amadora e chefe de gabinete do Ministro do Ambiente Isaltino Morais. Exerceu ainda funções de vogal do Conselho de Gerência da Habitágua, E.M.. É membro da Comissão Especializada de Inovação da APDA e Diretor Delegado dos SIMAS de Oeiras e Amadora.

TAGS: água
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