Colunista Nuno Campilho (Água e Resíduos - Regulação): Ecopoucos

02.05.2018

O Ambiente, em Portugal, deu um salto qualitativo brutal – quase inimaginável – nos últimos 25 anos.

 

Aproveito para prestar uma justa homenagem a todos os responsáveis políticos (e não políticos), técnicos e trabalhadores do setor, em geral, por este feito inédito e digno do maior registo, ao longos deste período.

 

No entanto, descobri – através da última edição da revista do Expresso (até parece mal dizer isto, pois eu devia era a andar a ler as newsletters da ERSAR) – que existem, em Portugal, cerca de 31 000 ecopontos, o que, aritmeticamente, dá cerca de 1 ecoponto por cada 323 pessoas.

 

Assim, à primeira vista, até parece não ser mau de todo, mas se pensarmos/extrapolarmos, que ¼ deles (25%, 7 750) se encontram nas Grandes Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto (e acho que estou a ser simpático...), já só sobram 23 250 para o resto do país. Se considerarmos que outro ¼ (mais 25%, 7 750) se encontram espalhados nos centros e nos círculos periféricos concêntricos das restantes capitais de distrito, afinal já só sobram 15 500 para o outro resto do país.

 

Se continuar a extrapolar, diria que isto, afinal, até é equitativo, partindo do princípio que o território português está dividido assim como que, numa espécie, de “ao meio”. 50% da população concentrada nas capitais de distrito e os restantes no resto do país, sem qualquer tipo de dispersão territorial, insularidade, interioridade e afins, não é? Não, não é!

 

Portanto, eu que vivo naqueles 50% “fabulosos”, faço 100 metros para cumprir o meu dever cívico, e encontro, amiúde, o “meu” ecoponto a abarrotar, pelo que sobra muito para os cães roerem e porem a bailar com o vento (é o que dá viver em sítios elevados, preocupado com as alterações climáticas e que a água da barra de Oeiras me chegue cá acima). Já os meus pais, que vivem na Pastoria, uma aldeia em Chaves, fazem compostagem... com sacos plásticos.

 

E é assim, neste país à beira mal plantado, onde um gestor do setor das águas, se põe a fazer contas (extrapolações) e se depara com fatos tão curiosos como estes.

 

Que chegue, depressa, a primavera, porque, se chove, andamos deprimidos, se não chove, deprimidos andamos e, pelo menos, as flores são bonitas, coloridas, dão-nos joie de vivre... e são biodegradáveis.

 

Nuno Campilho é licenciado em Relações Internacionais pela Universidade Lusíada e Pós-graduado em Comunicação e Marketing Político e em Ciência Política e Relações Internacionais. Possui ainda o Executive MBA do IESE/AESE. Foi presidente da União das Freguesias de Oeiras e São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias e consultor especializado em modelos de gestão de serviços públicos de água e saneamento. Foi administrador dos SMAS de Oeiras e Amadora e chefe de gabinete do Ministro do Ambiente Isaltino Morais. Exerceu ainda funções de vogal do Conselho de Gerência da Habitágua, E.M.. É membro da Comissão Especializada de Inovação da APDA e Diretor Delegado dos SIMAS de Oeiras e Amadora.

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