Colunista Nuno Medeiros (Água-Tecnologia): Água Digital - A transformação Digital no Setor

01.02.2017

Num setor com uma reputação de elevado conservadorismo, como são frequentemente descritos os serviços urbanos de águas, e muito capital intensivo, os processos de transformação digital e de absorção de inovação tecnológica disruptiva podem e estão a suceder-se a um ritmo elevado.

 

Forçosamente, estes são implementados, numa primeira fase, nas atividades com menor interação com os ativos intimamente relacionados com o transporte físico das águas, entenda-se no sentido lato, e, por oposto, nas atividades com forte interação relacional e emocional com os utilizadores dos serviços de abastecimento e saneamento de águas residuais urbanas, bem como nos fluxos internos de cada organização. Ou seja, o impacto causado pela transformação digital e pelos processos de inovação tecnológica disruptiva, têm-se deste modo, e prioritariamente, repartido pela componente relativa à relação com os stakeholders e pela valorização do capital humano dentro da própria organização.

 

Repare-se no exemplo de outros setores igualmente conservadores, em que a maior transformação digital e tecnológica, recaiu, precisamente, nos processos de interação com os clientes, dando origem, inclusivamente, a genuinamente novos modelos de negócio. Vejam-se os setores da hotelaria e do transporte urbano privativo (Airbnb e Uber).

 

É igualmente essencial que a Transformação Digital e a integração de inovações tecnológicas emergentes, constituam mecanismos de alavancagem do investimento a realizar em reabilitação e renovação dos ativos fixos, ou seja nas infraestruturas e equipamentos que compõem os sistemas de serviços de água, que efetivamente são o núcleo da organização, catalisando o seu desenvolvimento otimizado e inovador.

 

De salientar que a implementação das Transformações Digitais, consubstanciando-se em processos que muitas das vezes assumem um caráter marcadamente fraturante, nomeadamente num setor tão tradicional como é o da água, implicam frequentemente na necessidade em redistribuir funções e responsabilidades dentro da organização. Tal facto exige um forte apoio e empenho da gestão de topo, bem como de um elevado grau de envolvimento de toda a sua estrutura orgânica.

 

Pela sua importância neste contexto, fica uma última nota para os mais entusiastas desta temática: entre 20 e 22 de fevereiro do presente ano, realizar-se-á o World Water-Tech Innovation Summit, evento em que se depositam elevadas expetativas em termos de apresentação de tecnologias emergentes e do estado de maturidade das recentes inovações tecnológicas.

 

Nuno Medeiros tem o MBA em Gestão e Marketing e 21 anos de experiência no setor da Água. Integra a EPAL desde 1995. Ao longo do seu percurso profissional passou pela Manutenção, Gestão de Clientes e área Laboratorial. Foi gestor do projeto de mobility nas atividades de Meter Reading e Field Services, tendo até 2008 implementado projetos de Smart Metering. Atualmente na área de Investigação, Inovação e Desenvolvimento da EPAL, focaliza-se na componente de produtos, serviços e processos.

TAGS: Opinião , Nuno Medeiros , tecnologia , água
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