Colunista Nuno Medeiros (Água-Tecnologia): Exactly my dear Watson

18.07.2017

“Elementary my dear” Watson é a expressão que melhor identifica a personagem de ficção escrita pelo médico e escritor Sir Arthur Conan Doyle, onde o famoso detetive Sherlock Holmes se dirige ao seu amigo John Watson, para supostamente explicar mais uma das suas brilhantes aplicações da lógica dedutiva. O interessante desta frase, é que nos romances de ficção, Sherlock Holmes nunca utilizou tal expressão, utilizando a palavra “elementary” e a expressão “dear Watson”, mas nunca as duas conjugadas! Igualmente curioso é o facto da expressão que devia corresponder à identificação de Sherlock Holmes ser “exactly my dear Watson”, por ter sido utilizada, pelo menos, em três dos romances.

 

Transpondo agora o “exactly my dear Watson” para uma componente tecnológica, alcançamos o tema sobre o qual nos debruçamos, a computação cognitiva, a qual a IBM, ao conjunto de serviços que disponibiliza, designa como Watson.

 

E porquê falar da computação cognitiva quando a computação quântica inicia já os primeiros passos para se tornar empresarialmente acessível?

 

No sector da água, assim como em outras indústrias, a computação cognitiva ainda tem ainda muito para nos ajudar a melhor interpretar as operações dos sistemas, o comportamento das infraestruturas, a padronizar ocorrências em ativos críticos, a conhecer melhor os nossos clientes, recolhendo dados não infraestruturado e/ou permitindo a construção de “chatbots”, a compreender as experiências dos nossos colaboradores, entre outros campos de aplicação.

 

Sendo a computação cognitiva a simulação do racional humano, esta envolve plataformas tecnológicas que resumidamente são baseadas nas componentes de Inteligência Artificial (AI) e de Processamento de Sinais, englobando algoritmos de “machine learning”, processamento de linguagem natural, reconhecimento de objetos como imagens, áudio e vídeo, entre outros, tendo como objetivo a resolução e antecipação de problemas sem que para tal seja necessária a intervenção humana, nomeadamente através da identificação de padrões e modelando possíveis soluções.

 

Uma das componentes distintivas que evoluiu na computação cognitiva, designadamente no Watson (da IBM), é a capacidade de processamento e relacionamento de dados não estruturados, ou seja provenientes das várias origens de interação, como redes sociais, email, plataformas digitais, recolhidos sem um modelo previamente definido. A informação não estruturada representa atualmente 80% dos dados globais existentes, estando previsto que em 2020 represente 93%[1] da totalidade de informação global.

 

A computação cognitiva tem sido aplicada em diversos setores, sendo o mais expressivo o da medicina, da indústria e das “commodities” sendo a utilização fundamental para o desenvolvimento da eficiência operacional e dos modelos de negócio. No setor da água representará certamente o acesso a um novo conhecimento em diversas áreas funcionais, o qual irá implicar alterações nos processos existentes, as quais, potencialmente, resultarão em sucessos para as entidades gestoras. Quando alcançados os objetivos de eficiência e eficácia, poderemos então dizer, “Exactly my dear Watson!”.

 

Por último, recomendo a visualização de dois vídeos relacionados com este tema.

 

https://www.youtube.com/watch?v=mTLr3Gl5KT8

 

https://www.youtube.com/watch?v=_Xcmh1LQB9I&feature=youtu.be

 

[1] IBM, John Kelly

 

Nuno Medeiros tem o MBA em Gestão e Marketing e 21 anos de experiência no setor da Água. Integra a EPAL desde 1995. Ao longo do seu percurso profissional passou pela Manutenção, Gestão de Clientes e área Laboratorial. Foi gestor do projeto de mobility nas atividades de Meter Reading e Field Services, tendo até 2008 implementado projetos de Smart Metering. Atualmente na área de Investigação, Inovação e Desenvolvimento da EPAL, focaliza-se na componente de produtos, serviços e processos.

TAGS: tecnologia , água
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