Colunista Nuno Medeiros (Água-Tecnologia): IoT e a Cloud ao serviço dos SCADA

07.07.2017

A maioria dos sistemas de Supervisory Control and Data Acquisition (SCADA) disponibilizados pelos fornecedores contempla atualmente um conjunto de ferramentas web, com interfaces de mobilidade associados e componentes de Internet das coisas (IoT) entre outras soluções inovadoras. Efetivamente a aplicação industrial da IoT na indústria da automação, bem como o desenvolvimento da sensorização, da conetividade entre máquinas (machine to machine) e do machine learning vieram revolucionar os processos de automação, tendo impacto direto sobre os sistemas SCADA.

 

Todavia a existência destas funcionalidades ainda não é a realidade em muitas das entidades gestoras de serviços urbanos de água, pois se em alguns casos a instalação de SCADA(s) contabiliza os anos suficientes para que uma vasta gama de soluções tecnológicas não estivessem disponibilizadas nas versões adquiridas, em outras entidades os SCADA são rudimentares ou mesmo inexistentes.

 

Além da avaliação das funcionalidades complementares de um SCADA, se a entidade gestora decidir atualizar ou adquirir uma nova versão é necessário que tenha em consideração a definição do tipo de armazenamento e de acessibilidade que deseja. É essencial decidir entre a conceptualização tradicional da transferência dos dados monitorizados para um servidor instalado localmente ou a aplicação de sistemas de monitorização remota que, através de interfaces específicos (ex: edge nodes), permitem comunicar com os sistemas locais e enviar os dados diretamente para um servidor hospedado na Cloud. Esta arquitetura não só oferece uma maior segurança dos dados recolhidos, como é robusto ao nível da cibersegurança, permitindo igualmente adquirir serviços adicionais de dashboards, relatórios customizados, alarmística, histórico, analítica e acessos any time, anywhere, any device (conceito ATAWAD).

 

Embora ainda exista alguma relutância na utilização dos dados essenciais da exploração das infraestruturas, bem como em ter um servidor na cloud a operar remotamente os sistemas, sendo esta uma solução com um nível de risco a ponderar, a utilização em paralelo de sistemas de monitorização remotos, hospedados na cloud, com sistemas locais pode ser uma solução ideal ou, eventualmente, a que terá mais benefícios para a entidade gestora de serviços urbanos de água.

 

Nuno Medeiros tem o MBA em Gestão e Marketing e 21 anos de experiência no setor da Água. Integra a EPAL desde 1995. Ao longo do seu percurso profissional passou pela Manutenção, Gestão de Clientes e área Laboratorial. Foi gestor do projeto de mobility nas atividades de Meter Reading e Field Services, tendo até 2008 implementado projetos de Smart Metering. Atualmente na área de Investigação, Inovação e Desenvolvimento da EPAL, focaliza-se na componente de produtos, serviços e processos. 

TAGS: tecnologia , água
Vai gostar de ver
VOLTAR