Colunista Nuno Medeiros (Água-Tecnologia): Transformação Digital - ainda incubação ou já aceleração?

30.01.2018

Sensivelmente há um ano iniciei os artigos de opinião sobre a tecnologia no setor da água, tentando, na medida do possível, formalizar os chavões tecnológicos como o BigData, a Internet das Coisas (IoT), a Cloud, entre outros, nas necessidades reais ou potenciais que as organizações do setor têm quando procuram a eficiência, a qualidade do serviço e a melhoria da experiência do cliente.

 

Passados estes 12 meses, sinto o dever de regressar ao tema da transformação digital, pois embora sinta que o mesmo é realçado no setor e nas organizações, arrisco-me a assumir que ainda não tem uma abordagem consolidada em programas específicos que se traduzam em ações concretas.

 

O setor continua a necessitar de reconhecer “onde estamos” na componente da digitalização, analisando o estado inicial da maturidade digital de cada entidade gestora e do setor, nas suas diversas dimensões,

nomeadamente na liderança, na omni-experiência, nos colaboradores, no modelo operacional e no modelo de informação. A estratégia para o setor e em cada organização tem de evidenciar a componente digital, devendo a componente mais corporativa integrar-se com a componente digital. Assim, as medidas de ação devem desenvolver-se integrando as novas oportunidades digitais com os conhecimentos tradicionais do negócio, cruzando as atividades de rotina com a inovação, criando disrupção assertiva e criativa, fomentando as parcerias externas e colaborativas mas, de forma ainda mais exigente, potenciando parcerias internas entre as pessoas.

 

Reconhece-se que no ano de 2017 foram várias e proveitosas as iniciativas da comunidade da água que resultaram de forma determinante na promoção da inovação e da transformação digital das organizações do setor, como o Porto Water Innovation Week, a DUCTUS - Encontro de Jovens Profissionais da Água, o LIS-Water, o Aqua eXperience, entre outras, mas serão estas que vão conseguir incorporar a digitalização nas nossas organizações?

 

Julgo estarmos ainda numa fase de incubação da transformação digital no setor dos serviços urbanos de água, sendo que para o início deste novo ano, seria interessante o setor sistematizar o que já fez, analisar o que se anda a fazer neste admirável mundo tecnológico, neste setor e em setores similares, ou seja, comparando-nos com outras indústrias e, finalmente, definir a sua estratégia digital. Este são os meus votos para a transformação digital do setor em 2018!

 

Como nota final de eventos interessantes, realço o World Water Tech Innovation Summit, que se realizará em Londres no próximo dia 20 e 21 de Fevereiro e a conferência WEX Global 2018, que se realizará em Lisboa no próximo dia 13 e 14 de Março, sob o tema “Circular economy strategies for water and energy”.

 

Nuno Medeiros tem o MBA em Gestão e Marketing e 21 anos de experiência no setor da Água. Integra a EPAL desde 1995. Ao longo do seu percurso profissional passou pela Manutenção, Gestão de Clientes e área Laboratorial. Foi gestor do projeto de mobility nas atividades de Meter Reading e Field Services, tendo até 2008 implementado projetos de Smart Metering. Atualmente na área de Investigação, Inovação e Desenvolvimento da EPAL, focaliza-se na componente de produtos, serviços e processos.

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