Colunista Pedro Perdigão (Água-Tecnologia): Infraestruturação digital no setor da água

12.02.2020

Sendo uma das três áreas onde se tem observado um maior investimento de I&D (as outras são: a Economia Circular e as tecnologias para tratamento), a Infraestruturação Digital é aquela onde o conhecimento e a tecnologia são universalmente aplicáveis (muitas entidades gestoras apenas realizam a distribuição de água e/ou a recolha e drenagem de águas residuais) e estão mais disponíveis para as entidades gestoras que pretendam inovar.

 

Nesta área organizo as inovações disponíveis em duas grandes vertentes: 1) os sensores e 2) a Análise Preditiva e Inteligência Artificial para tratamento dos (Big) dados disponíveis. No que diz respeito aos sensores a oferta para monitorização das redes é agora vasta e acessível em áreas tão distintas como: a) a monitorização da qualidade de água, quer para abastecimento quer nas redes de saneamento para deteção atempada de contaminações ou descargas ilícitas; b) a avaliação da condição infraestrutural – utilizando sensores acústicos ou redes de fibra-ótica para monitorização do funcionamento de redes e c) a deteção e a localização de fugas – desde bolas e robôs que percorrem o interior das condutas até à utilização de satélites.

 

Para as entidades que começaram há mais tempo a instalar sensores (primeiro nos ativos verticais com a telegestão e depois nas redes com as ZMC) e que, portanto, se viram confrontadas com dados dos quais nem sempre tiraram informação, o mercado também já oferece várias soluções que analisam automaticamente esses dados, identificando eventos ou tendências anormais ou apresentando correlações com outros fatores que apoiam nas decisões de gestão operacional ou no planeamento de investimentos de remodelação.

 

Muitas destas tecnologias existem há quase duas décadas, no entanto o seu uso nunca foi tão generalizado nem esteve tão disponível como nos últimos anos.

 

Diria até que já não se destaca aquele que tem as redes monitorizadas, nem sequer aquele que usa inteligência artificial para lidar com os dados daí resultantes, diria mesmo que, mais dia menos dia, os que se vão destacar serão aqueles que ainda não o fizerem.

 

A aceleração que vemos na sociedade à nossa volta está a chegar ao nosso setor e levará à expetativa nos consumidores de que as entidades gestoras devem ser cada vez mais rápidas e autónomas na deteção, e eficazes na correção, de situações emergentes como, por exemplo, roturas ou problemas de contaminação. Não creio que o argumento de termos uma fatura média 2 ou 3 vezes inferior à das restantes utilities vá servir para baixar as expetativas pelo que, com os recursos disponíveis, temos a obrigação de ir fazendo caminho e tornando as nossas entidades gestoras cada vez mais SMART.

 

 

Após a licenciatura em Civil, Pedro Perdigão concluiu o mestrado em Estruturas e foi professor na Faculdade de Engenharia da UP. Tem funções técnicas ou de gestão no setor do abastecimento de água, desde 1996, ano em que iniciou a sua carreira profissional na Águas do Douro e Paiva. Em 2007 saiu do setor para Diretor da Habiserve (grupo de promoção imobiliária) onde foi responsável pelos departamentos de Gestão de Negócio, Sistemas de Informação e Pós-Venda, assim como, Diretor Executivo da empresa de importação de materiais desse grupo - Imperbor. De 2008 a 2009 foi Diretor Geral da Tgeotecnia, SA, empresa do grupo DST para obras de geotecnia. Em 2009 regressou ao setor como Diretor Geral da Águas de Gondomar. Ainda no mesmo grupo, de 2011 a 2016, assumiu as funções de Diretor Geral da Águas de Cascais. Atualmente é Administrador no grupo Indaqua, com responsabilidade nas operações das suas empresas que, só em Portugal, asseguram o abastecimento de água e saneamento a mais de 600.000 habitantes. Para além de assumir funções nas concessões (Fafe, Matosinhos, Oliveira de Azeméis, Santa Maria da Feira, Santo Tirso, Trofa e Vila do Conde) é ainda gerente na empresa de Operação e Manutenção do grupo (Aqualevel) e administrador na Águas de São João da Madeira. É professor no Mestrado de Economia e Gestão Ambiental na Faculdade de Economia da UP.

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