Comentário Jaime Melo Baptista: A necessidade de melhorar a gestão dos serviços de águas

15.10.2018

A boa gestão dos serviços públicos de águas é fundamental. Foi este um dos temas escolhidos para serem discutidos no Congresso Mundial de Água da IWA em Tóquio. Em Portugal, com um número ainda tão elevado de entidades gestoras e diversos modelos de gestão, este assunto é especialmente relevante. Tanto mais que temos de um lado entidades privadas, para quem a eficiência é vista como uma questão de sobrevivência,  e do outro lado temos entidades públicas municipais, onde os níveis de eficiência variam mais.


As questões em debate foram: Como podem as entidades gestoras de serviços de águas otimizar a operação e a gestão para serem mais eficientes em termos de recursos humanos e físicos? Como podem elas ser inovadoras e adaptáveis às mudanças de curto e longo prazo e aos desafios do futuro? Como podem ter uma colaboração eficaz com tantos outros agentes com que têm necessariamente que interagir, a diferentes escalas geográficas?


A otimização da operação e da gestão passa por darem maior atenção ao aumento da eficiência hídrica, energética, de recursos humanos e de produtos químicos, com recurso ao benchmarking, tanto nas redes como nas estações de tratamento de água e de águas residuais. Passa por fazerem uma efetiva gestão de ativos com recurso a tecnologias adequadas de renovação de redes e outras instalações. Passa por fazerem uma melhor utilização na gestão das tecnologias da informação e comunicação. E por melhorarem a integração de soluções descentralizadas em sistemas centralizados.


A adaptação às mudanças e aos desafios implica estarem mais preparadas para a gestão de eventos extremos (ex. secas, inundações, incêndios, terremotos, acidentes graves, ataques terroristas), saberem prevenir e gerir melhor eventuais surtos epidemiológicos (ex. legionella), e sem dúvida evoluírem para a economia circular e para a neutralidade carbónica.


A colaboração eficaz com outros agentes obriga a melhorarem a interação com a administração central e local, o setor privado e os consumidores e comunidade em geral, e por promoverem incentivos económicos e desenvolverem metodologias económicas de avaliação de impactes e benefícios para a sociedade, capazes de sustentarem mais facilmente as suas decisões.


E tudo isto passa por formar profissionais e capacitar organizações, e assim fortalecer o capital intelectual em todo o setor dos serviços de águas.


Jaime Melo Baptista, engenheiro civil especializado em engenharia sanitária, é Investigador-Coordenador do LNEC, Coordenador do Lisbon International Centre for Water (LIS-Water), vogal do CNADS e Presidente do Conselho Estratégico da PPA e foi Comissário de Portugal ao Fórum Mundial da Água 2018. Integrou o conselho de administração e o conselho estratégico da IWA. Foi presidente da ERSAR (2003-2015), dirigiu o Departamento de Hidráulica (1990-2000) e o Núcleo de Hidráulica Sanitária (1980-1989) do LNEC, foi diretor da revista Ambiente 21 (2001-2003) e consultor. Foi distinguido com o IWA Award for Outstanding Contribution to Water Management and Science.

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