Comentário Jaime Melo Baptista (Água): Lisboa, Cidade Verde Europeia 2020

02.07.2018

Lisboa acabou de receber o troféu Cidade Verde Europeia 2020, atribuído pela primeira vez a uma cidade do sul da Europa. É o reconhecimento da sua estratégia de sustentabilidade, com mais espaços verdes, espaços públicos, integração urbana da água e mobilidade sustentável.

 

Também no tema da água Lisboa tem agora mais argumentos para se tornar uma cidade de líder. Rodeada por um enquadramento fantástico de rio, estuário e oceano, com uma beleza ímpar, Lisboa pode e deve trazer a água mais para dentro de si. Tornar-se uma referência internacional neste tema.

 

Lisboa pode e deve abraçar a economia circular, pois o modelo tradicional de extrair, transformar, consumir e rejeitar é incompatível com o desenvolvimento sustentado, apoiada pela inovação científica e tecnológica. Temos que conseguir crescimento e desenvolvimento económico sem consumo excessivo de recursos, nomeadamente de água. Há fortes razões ambientais, sociais e também económicas para evoluirmos nesse sentido. Há que encontrar novos procedimentos relativamente a água, aos materiais e à energia, componentes indissociáveis, para respeitar os limites do planeta, garantir um futuro melhor para todos e respeitar as próximas gerações.

 

Pelo seu exemplo, Lisboa pode e deve também contribuir para ajudar terceiros a darem resposta a recentes e importantes iniciativas internacionais, nomeadamente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e a Carta de Lisboa para as políticas públicas e regulação de água da International Water Association.

 

Todos temos a obrigação de apoiar a Câmara Municipal de Lisboa neste esforço para vir a ser uma digna Cidade Verde Europeia em 2020.

 

Jaime Melo Baptista, engenheiro civil especializado em engenharia sanitária, é Investigador-Coordenador do LNEC, Coordenador do projeto Lisbon International Centre for Water (LIS-Water), Presidente do Conselho Estratégico da PPA e Comissário de Portugal ao 8.º Fórum Mundial da Água 2018 em Brasília. Foi membro do conselho de administração e do conselho estratégico da IWA. Foi presidente da ERSAR (2003-2015), responsável pelo Departamento de Hidráulica (1990-2000) e pelo Núcleo de Hidráulica Sanitária (1980-1989) do LNEC, diretor da revista Ambiente 21 (2001-2003) e consultor. Foi distinguido com o IWA Award for Outstanding Contribution to Water Management and Science.    

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