Comentário Jaime Melo Baptista (Água): Transparência social e ambiental nas empresas

06.07.2017

Vejo com satisfação que a Comissão Europeia quer continuar a melhorar a transparência empresarial nas perspetivas sociais e ambientais e anunciou que vai apresentar novas diretrizes sobre a divulgação desse tipo de informação. Pretende que as empresas divulguem informações não-financeiras da sua atividade de forma mais consistente e comparável, sendo assim incentivadas a adotarem estratégias mais sustentáveis. Esta decisão vem na sequência da diretiva da União Europeia sobre a divulgação das informações não-financeiras que entrou em vigor em 2014 e que as empresas terão de aplicar a partir de 2018, com informação relativa ao exercício de 2017.

 

Esta medida enquadra-se na determinação da União Europeia em assumir a liderança mundial na criação de um economia mais verde e mais sustentável. A Comissão acredita, e eu também, que empresas transparentes apresentam melhor desempenho ao longo do tempo, conseguem menores custos de financiamento, atraem e retêm funcionários talentosos e são, em última análise, mais bem-sucedidas. Acredita, e eu também, que decisões de investimento mais bem informadas têm muito mais possibilidades de sucesso e que, ao longo do tempo, isto levará a um crescimento e a um emprego mais robustos, e ao aumento de confiança entre as partes interessadas, incluindo os investidores e consumidores. Acredita, e eu também, que as empresas estão a fazer um favor a si próprias e a ajudar os seus investidores, credores e sociedade em geral se fornecerem informação relevante sobre estratégias, riscos e resultados no que diz respeito a aspetos ambientais e sociais, bem como o respeito pelos direitos humanos e as medidas contra a corrupção.

 

É bom saber que nos serviços de águas em Portugal já há mais de uma década as entidades gestoras começaram a criar uma cultura nesse sentido, com divulgação anual pela ERSAR de indicadores de qualidade de serviço auditados, nas vertentes sociais, de gestão e ambientais.

 

Jaime Melo Baptista, engenheiro civil especializado em engenharia sanitária, é Investigador-Coordenador do LNEC, Presidente do Conselho Estratégico da PPA e Comissário de Portugal ao 8.º Fórum Mundial da Água 2018. Foi membro do conselho de administração e do conselho estratégico da IWA. Foi presidente da ERSAR (2003-2015), responsável pelo Departamento de Hidráulica (1990-2000) e pelo Núcleo de Hidráulica Sanitária (1980-1989) do LNEC, diretor da revista Ambiente 21 (2001-2003) e consultor. Foi distinguido com o IWA Award for Outstanding Contribution to Water Management and Science.

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