Comentário Paulo Carmona (Energia): Até que enfim temos DGEG

27.11.2018

Finalmente em muitos anos a DGEG tem um director-geral que vem da sua própria estrutura, um reconhecimento da criação de talentos na Administração Pública e, sobretudo, após 4 longos anos a Direção-geral de Energia tem alguém no seu topo que sabe o que é energia.

 

Com 27 anos de trabalho na DGEG, João Bernardo é alguém que conhece bem a casa, com a experiência e competência por todos reconhecida. Uma pessoa independente, com pensamento e ideias próprias, validados e alicerçados na experiência. E com as quais muitas vezes discordei, mas respeitei. Não se lhe reconhecem ligações a partidos ou ambições para lá de querer ser um excelente técnico, o que faz dele um individuo apropriado para a função de dignificar a DGEG e a Administração Pública, colocando-se ao serviço do Estado e do interesse público e não do Governo de circunstância. Ou seja, tudo o que o anterior director-geral não era.

 

Com efeito, Mário Guedes era o mais parecido com um “boy” político, alguém que deve o seu cargo a uma fidelidade canina com o poder de momento. Licenciado em engenharia de minas, vendia seguros até as amizades socialistas o nomearem para vogal da Empresa de Desenvolvimento Mineiro, EDM, empresa pública, durante o consulado de Manuel Pinho. Quando os socialistas regressaram ao poder foi resgatado ao desemprego indo imediatamente trabalhar para o gabinete do secretário de estado da energia, Seguro Sanches, onde aguardou que vagasse o “seu” lugar na EDM. Com a demissão do anterior DGEG, Carlos Almeida, incapaz de corresponder às múltiplas e muitas vezes contraditórias vontades do SEEn, Mário Guedes perfilou-se como a melhor solução para DGEG. Sem qualquer conhecimento de sistemas energéticos, a liderar a mais importante instituição pública da energia e sem ideias próprias, era o perfeito “boy for the job.” E claro que passou na CRESAP em concurso aberto e encomendado. Mas como é possível que na estrutura de topo da DGEG, durante estes 2 anos, não existisse necessidade de competências reconhecidas na área da energia?

 

A conclusão talvez seja que para pensar, a energia e outros temas, estava lá o Secretário de Estado, omnisciente, do qual o director-geral tinha sido fiel adjunto. Até a sub-directora, Cristina Lourenço especialista em recursos geológicos, ficou sem delegação de competências, na prática sem fazer nada, durante 18 meses. Assim menoriza e despreza a Administração Pública.

 

Com João Bernardo a DGEG tem finalmente um dos seus a liderá-la, já não era sem tempo…


PS: Ficámos atónitos com o branqueamento efectuado ao ex-director-geral no último programa “sexta às nove”? Com um paradoxal fato de Robin dos Bosques e apoiado na mesma jornalista que descobriu a reunião do Ministro Siza Vieira com os chineses da CTG…

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