Comentário Paulo Carmona (Energia): Se precisamos é melhor produzir petróleo em Portugal

25.10.2018

Solicitação de comentário: Deve Portugal pesquisar e explorar petróleo?

Portugal é um país pobre, e cada vez mais pobre dentro da União. Dentro de 4 anos apenas a Bulgária e a Roménia serão mais pobres. E nós necessitamos de ser um país mais rico para acudir aos nossos pobres. Com dívida já não podemos acudir.

 

Nenhum país até hoje se recusou a explorar os seus recursos, parece que seremos os primeiros. A Repsol já desistiu de explorar gás no Algarve e petróleo ao largo de Peniche. Agora o consórcio ENI/Galp talvez abandonasse se não fosse o capital que já investiram na costa alentejana. Não é assim que deixaremos de ser pobres.

 

E ligar a exploração às ditas alterações climáticas é uma falácia. Se quisermos combater as emissões temos de nos focar a combater o consumo de petróleo, gás e carne. Especialmente reduzir a necessidade de petróleo nos transportes, com construção de oleodutos, aposta nos biocombustíveis, que estranhamente este governo baixou a incorporação, ao arrepio das diretivas e práticas europeias, e na ferrovia.

 

Enquanto infelizmente tivermos essa necessidade de petróleo, mais vale produzi-lo cá do que dar riqueza a outros, parece óbvio…

 

Se a exploração vale a pena, com o consumo a previsivelmente diminuir, é uma opção do consórcio. É o dinheiro deles que está a jogo, não seremos nós a avaliar.

 

Paulo Carmona, Licenciado em Gestão pela Universidade Católica de Lisboa, é consultor e administrador em empresas de energia nacionais e internacionais, membro da direção da Ordem dos Economistas e diretor executivo do think-tank Missão Crescimento. Foi Presidente da ENMC, Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis (2013-2016), administrador na Martifer, CEO da Prio Bio (2006-2009), secretário-geral da APPB (2009-2013), consultor e gestor de fundos de investimento na área da energia (2002-2009), Chairman da ACOMES, professor universitário especialista em mercados de energia e matérias-primas (1999-2014), diretor da Executive Digest (2003-2013).

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