Comentário Rui Berkemeier (Resíduos): Compromisso global sobre plásticos

06.11.2018

Em Bali, na Indonésia, foi recentemente assinado um acordo entre vários governos, empresas e ONGs, designado “compromisso global para a nova economia de plásticos” que visa reduzir o uso do plástico e promover a sua reciclagem.

 

Entre as empresas que assinaram este compromisso encontram-se grandes multinacionais que colocam no mercado cerca de 20% dos plásticos de embalagem.

 

A expetativa é elevada em relação a este acordo, mas, como é natural, só com a sua aplicação na prática é que vamos saber se vai ter ou não algum impacto positivo para o ambiente.

 

Em todo o caso, o que há a realçar de todas as notícias que nos últimos tempos têm circulado sobre a questão dos plásticos é que, com a demonstração dos múltiplos impactes ambientais e na saúde pública provocados por este material, daqui para a frente nada será como dantes e o plástico vai ser cada vez mais escrutinado.

 

É pois de esperar que cada vez mais vozes se levantem a exigir a substituição de produtos em plástico descartável (como as embalagens) por outros mais amigos do ambiente, um maior controlo da colocação no mercado de produtos que dão origem a microplásticos ou uma taxa de reciclagem muito superior para os plásticos que continuarem a ser consumidos.

 

Em Portugal tivemos recentemente um bom exemplo desta evolução da opinião pública e por inerência dos próprios decisores políticos, com a aprovação na Assembleia da República de legislação que vai obrigar a que, já em 2019, as embalagens de plástico para bebidas passem a estar sujeitas ao pagamento de um depósito que é devolvido ao consumidor se entregar a embalagem para reciclar.

 

Isto, depois do Ministério do Ambiente ter dito uns dias antes que só em 2022 é que iria avaliar se seria necessário ou não recorrer a este tipo de medida para aumentar a taxa de reciclagem das garrafas de plástico e diminuir a sua libertação no ambiente.

 

No fundo, a Assembleia da República, assumindo as suas responsabilidades e fazendo eco de uma preocupação dos portugueses, acabou por ultrapassar a posição tradicionalmente conservadora destes e de anteriores responsáveis pelo Ministério do Ambiente.



Rui Berkemeier é Engenheiro do Ambiente licenciado pela FCT/UNL. Foi Técnico Superior da Direção de Serviços de Hidráulica do Sul em Évora (1988-1992), na área de Controle da poluição hídrica e extracção de inertes, e Chefe de Setor de Ambiente da CM das Ilhas em Macau (1992-1996) na Gestão de Resíduos e Educação Ambiental. Desempenhou as funções de Coordenador do Centro de Informação de Resíduos da Quercus de 1996 a 2016 acompanhando as políticas nacionais de gestão de resíduos. Atualmente é técnico especialista na Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável.

VOLTAR