Comentário Rui Berkemeier (Resíduos): Embalagens de medicamentos, um longo caminho a percorrer

02.10.2018

Com a divulgação dos resultados para 2017 da recolha de embalagens de medicamentos usados, os quais, apesar da melhoria, ainda apontam para uma taxa de 11%, pelo que se pode concluir que este é um fluxo de resíduos onde ainda há muito para fazer, até porque, em 2020, a Valormed vai ter de recolher quase o dobro desta taxa.

 

Para melhorar o sistema, deveria, em primeiro lugar, ser alargada a recolha destes resíduos a mais pontos para além das farmácias, começando em primeiro lugar pelas parafarmácias, as quais contam com uma rede de 1250 unidades que naturalmente muito ajudariam os consumidores a darem o seu contributo para esta causa.

 

Em segundo lugar, à semelhança de muitos outros fluxos de resíduos com baixas taxas de recolha, talvez seja altura de se começar a pensar na introdução de um sistema que premeie financeiramente o cidadão que colabora com a separação dos resíduos.

 

Uma possibilidade a ser estudada seria a introdução de um depósito nas embalagens que, quando entregues nos pontos de recolha, seria descontado no preço dos medicamentos. Assim, teríamos seguramente uma participação muito maior dos portugueses, para além de que a Valormed no futuro não teria praticamente de gastar dinheiro em campanhas de comunicação (cerca de meio milhão de euros por ano) que tão fracos resultados têm dado.

Convém referir que a separação de resíduos e embalagens de medicamentos, não só é uma prática amiga do ambiente, por permitir obter mais materiais para reciclar, mas também é importante porque minimiza a descarga de medicamentos usados na rede de esgotos e por fim no meio hídrico, com impactes ao nível do ecossistema e da saúde humana.

 

Rui Berkemeier é Engenheiro do Ambiente licenciado pela FCT/UNL. Foi Técnico Superior da Direção de Serviços de Hidráulica do Sul em Évora (1988-1992), na área de Controle da poluição hídrica e extracção de inertes, e Chefe de Setor de Ambiente da CM das Ilhas em Macau (1992-1996) na Gestão de Resíduos e Educação Ambiental. Desempenhou as funções de Coordenador do Centro de Informação de Resíduos da Quercus de 1996 a 2016 acompanhando as políticas nacionais de gestão de resíduos. Atualmente é técnico especialista na Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável.

VOLTAR