COP25: Guterres apela ao alcance da neutralidade carbónica e à limitação de combustíveis fósseis

03.12.2019

No discurso de abertura da 25ª Cimeira das Nações Unidas pelo Clima (COP25), o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou ao fim da utilização de combustíveis fósseis e ao alcance da neutralidade carbónica até 2050, recordando ainda as manifestações dos jovens no combate às alterações climáticas. 

 

“Precisamos de uma mudança rápida e profunda no modo como fazemos negócios, como geramos energia, como construímos cidades, como nos movimentamos e como alimentamos o mundo. Se não mudarmos urgentemente o nosso modo de vida, comprometemos a vida em si”, afirmou. 

 

António Guterres lembrou que “é imperativo que os Governos não honrem apenas as suas contribuições nacionais sobre o Acordo de Paris, mas aumentem substancialmente as suas ambições”. O secretário-geral frisou a necessidade de reduzir as emissões em 7,6 por cento em cada ano de modo a manter o aumento da temperatura abaixo dos 1,5ºC. 

 

Para o secretário-geral da ONU fazer mais é assumir, já nesta cimeira, a necessidade de terminar com a dependência do carvão e inverter a previsão de um aumento de produção de combustíveis fósseis na próxima década. Guterres apelou à necessidade de mudanças que devem passar, não só pela indústria dos combustíveis fósseis mas também devem envolver áreas como a agricultura transportes, planeamento urbano, construção e indústrias de cimento e aço. 

 

No seu discurso, António Guterres reforçou a importância de atribuir um preço ao carbono, regulamentar o mercado a nível global e aumentar a ambição das contribuições nacionais determinadas, como forma de garantir a neutralidade carbónica em 2050 e assegurar que as metas do Acordo de Paris são cumpridas.

 

O secretário-geral da ONU recordou ainda os dados divulgados pela Organização Meteorológica Mundial, os quais revelaram que os níveis de gases com efeito de estufa na atmosfera bateram um novo recorde. “Os níveis médios globais de dióxido de carbono atingiram 407,8 partes por milhão em 2018. E lembro-me, que há pouco tempo, 400 partes por milhão eram vistas como um ponto de inflexibilidade impensável”, afirmou. 

 

“As decisões que tomarmos aqui vão definir, em última análise, se escolhemos um caminho de esperança ou um caminho de rendição”. O secretário-geral lembrou ainda que as ferramentas, a ciência e os meios estão disponíveis faltando mostrar que existe a vontade política que as pessoas exigem. "Fazer menos do que isso será uma traição a toda a nossa família humana e às gerações seguintes”.

 

A COP25 teve início na segunda-feira e decorrerá até 13 de dezembro em Madrid, Espanha. Esta cimeira, que tem como mote “é tempo de agir”, é uma iniciativa das Nações Unidas que junta representantes de 195 países e cerca de 25 mil pessoas, desde decisores políticos a ambientalistas, com o objetivo de discutir a urgência de uma resposta à emergência climática.

 

Foto: Página oficial COP 25

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