Daniel Aelenei (FCT): Aguardam-se medidas para edifícios com necessidades quase nulas de energia (VÍDEO)

O grande problema coloca-se ao nível da reabilitação do parque habitacional já existente, alerta o investigador

30.09.2015

A União Europeia exige que até 2020 todos os novos edifícios tenham necessidades quase nulas de energia (Nearly Zero Energy Buildings), mas em Portugal não existe ainda uma estratégia concreta que permita atingir este objectivo.

 

“Não foi estabelecida uma metodologia a nível nacional do ponto de vista estratégico para alcançar os objectivos estabelecidos a nível europeu”, sublinha o investigador e professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade Nova de Lisboa (UNL), Daniel Aelenei, em declarações ao Ambiente Online.

 

A directiva europeia “Energy Performance of Building Directives” (EPBD, 2010/31/EU), contém directrizes sobre o comportamento térmico que deverão ter os edifícios a nível europeu e é ainda mais exigente no que toca aos edifícios públicos que têm que alcançar as metas estabelecidas até 2018.

 

“Em Portugal, políticos, universidades e laboratórios do Estado estão sintonizados para se conseguir implementar a nível nacional um conjunto de estratégias que possibilitem o cumprimento desses objectivos”, ressalva o investigador.

 

Recorde-se que a directiva exige a “descrição pormenorizada da forma como a definição de edifícios com necessidades quase nulas de energia é aplicada na prática pelo Estado-Membro, que reflicta as condições nacionais, regionais ou locais dos edifícios” e “um indicador numérico da utilização de energia primária, expressa em kWh/m2 por ano”.

 

Daniel Aelenei lembra que “Portugal é um país privilegiado do ponto de vista do clima e do potencial de implementação de técnicas solares, tanto activas como passivas”. A grande questão prende-se no entanto com os edifícios existentes, designadamente com a reabilitação do parque habitacional existente, alerta.

 

“Aqui é que o problema pode colocar algumas dificuldades aos cientistas do ponto de vista da implementação das medidas tendo em conta que se se procura um custo óptimo. Ainda estamos a pensar nesse conjunto de situações”, avança.

 

A FCT organizou, em parceria com o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), a segunda edição da conferência “Net Zero-Energy Buildings (NZEB’s)”, que contou com o apoio da Annexx 67 - Energy Flexible Buildings da Agência Internacional de Energia.

 

O encontro, que decorreu esta terça-feira no auditório Leopoldo Guimarães, da FCT, no Campus da Caparica, reuniu um grupo de investigadores estrangeiros que integram esse projecto da Agência Internacional de Energia. Os oradores apresentaram alguns casos de estudo, nomeadamente da Noruega, Dinamarca e Bélgica, considerados exemplares em termos mundiais.

 

Ana Santiago 

TAGS: Eficiência Energética , Nearly Zero Energy Buildings , Faculdade de Ciências e Tecnologia , Universidade Nova de Lisboa
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