Fotovoltaico flutuante é a solução que está a ser estudada para o Alqueva (COM VÍDEO)

Quem o garante é o presidente da EDIA, José Pedro Salema

15.12.2015

A tecnologia solar fotovoltaica flutuante pode ser a solução para os elevados custos energéticos da operação do Alqueva. Quem o garante é José Pedro Salema, o presidente da EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do Alqueva.

 

A inovação que a EDIA está a ponderar passa por colocar os painéis em cima da água, o que tem múltiplas vantagens. Desde logo há uma mais valia energética. “O facto do painel estar em cima da água arrefece-a fazendo aumentar a eficiência da conversão. Um painel que está em cima da água produz mais energia do que aquele que está no solo”, realça José Pedro Salema em declarações ao Ambiente Online.

 

Por outro lado reduz a evaporação. “Como tapa, ainda que parcialmente, o reservatório onde está aplicado reduz a perda de água”, exemplifica. Há ainda uma vantagem associada à consequente diminuição da incidência de luz solar na água. “Isso vai reduzir o crescimento das algas, que é um problema que temos nas operação, porque as algas crescem entupindo os nossos filtros”, explica.

 

O empreendimento, que fornece água para fins múltiplos, mas tem como principal consumidor a agricultura (90 por cento), possui elevadas necessidades energéticas. Por cada metro cúbico de água distribuído é necessário meio kWh. “Temos a sorte de ter uma infra-estrutura nova que está ainda em fase de conclusão e portanto usamos as mais recentes tecnologias. Por via da eficiência energética já não haverá muita margem de progressão”, sublinha o responsável.

 

José Pedro Salema lembra que a EDIA está no Alentejo, “a zona da Europa com maior nível de radiação solar e insolação e portanto com um potencial produtivo fotovoltaico muito interessante de energia fotovoltaica”.

 

APOSTA VAI DEPENDER DOS APOIOS

 

A aposta nesta solução depende “exclusivamente do financiamento” comunitário. A EDIA está já a preparar um projecto de candidatura que passará por captar fundos de várias origens, desde a inovação, passando pela eficiência energética até à eficiência hidráulica, adianta José Pedro Salema. “Não haverá uma única via. Teremos que ir buscar o máximo de apoios para conseguir concretizar este investimento. Não só ao PO SEUR, mas ao Horizonte 2020 e Interreg”, assegura.

 

O investimento dependerá da potência a aplicar, que ainda não está definida, explica José Pedro Salema. Para um investimento de larga escala o responsável espera alcançar valores na ordem de um euro por watt de potência instalada, o que possibilita períodos de retorno de cerca de sete anos.

 

“Se puséssemos toda a nossa potência em solar fotovoltaico seriam 170 MW, ou seja, 170 milhões de euros”, ilustra. O responsável lembra no entanto que é sempre possível alcançar um equilíbrio. Com 25 a 30 por cento da capacidade garantida, o equivalente a 40 MW ou 50 MW, a EDIA conseguiria cobrir a base do consumo energético ficando por resolver o período de ponta que teria que ser comprado à rede.  

 

Actualmente a EDIA tem apenas algumas unidades de pequena produção, incluindo a que funciona na sede, em Beja, cuja cobertura tem painéis instalados com um total de 110 kW de potência, o que assegura dois terços das necessidades do edifício. “É uma pequena parte e tem apenas um carácter demonstrativo. Significa o empenho que a EDIA quer colocar no ambiente, na sustentabilidade e na eficiência energética”, garante.

 

Ana Santiago 

TAGS: EDIA , Alqueva , José Pedro Salema , água , energia , solar fotovoltaico
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