Glifosato foi o tema que despertou maior interesse no Encontro de Limpeza Urbana em Cascais

11.06.2019

O glifosato foi o tema que despertou maior interesse no II Encontro Nacional de Limpeza Urbana, realizado em Cascais, a 30 de maio, com a audiência a manifestar grande interesse nas experiências apresentadas pelas autarquias de Serpa, Loulé, Funchal e Junta de Freguesia da Estrela.

 

A transição na utilização de herbicidas à base de glifosato para alternativas com menos impacto na saúde e no ambiente não é fácil, nem linear.

 

Francisco Godinho, vereador de Ambiente da Câmara Municipal de Serpa, explicou que a autarquia adquiriu em 2018 uma máquina de monda térmica, que para além da monda permite fazer a lavagem dos largos e praças. No entanto, esta alternativa não é 100 por cento eficaz, uma vez que as infestantes têm de ser de tamanho reduzido e têm de ser cortadas antes de intervencionadas com o equipamento térmico.

 

“Neste momento, estamos numa fase de adaptação a esta nova realidade, pelo que o aspeto das ruas por vezes não é aquele que desejaríamos”, observou.

 

No próximo ano, para além da aquisição de uma segunda máquina, o município de Serpa prevê alargar a equipa de monda manual e a monda mecânica, para dar apoio às máquinas de monda térmica, informou o vereador.

 

A Junta de Freguesia da Estrela, Lisboa, foi a primeira do país a abolir o glifosato na limpeza de ruas e espaço verdes, em 2014. Mas conforme salientado pelo seu presidente, Luís Newton, o caminho não tem sido fácil, sendo que a estratégia adoptada passa pela utilização de várias técnicas sobrepostas que permitem a eficácia na ordem dos 67 por cento relativamente ao glifosato.

 

Joaquim Barros, da Câmara Municipal de Loulé, apontou que os métodos de controlo que têm surgido no mercado como a monda térmica “não são eficazes e não constituem alternativa aos métodos e produtos clássicos usados no combate a infestantes, especialmente quando as áreas a controlar são de grande dimensão”.

 

Assim, o método atual mais usado no município passa pela monda mecânica, ou seja, corte de plantas infestantes através da utilização de vários equipamentos.  Também é utilizado um herbicida não seletivo das culturas que age estritamente por contacto, devidamente autorizado pela Direção Geral de Alimentação e Veterinária.

 

O responsável de Loulé considerou que a utilização de água quente/vapor de água no combate a infestantes “é um método moroso e que consome grandes quantidades de água e não se adequa a grandes áreas, dado que os ensaios realizados em zonas piloto não obtiveram  resultados satisfatórios”.

 

O Funchal está neste caminho desde 2016, tendo optado por recuperar a monda manual e reforçar a monda mecânica, o que resultou no desenvolvimento de cinco equipas com um total de cerca de 30 pessoas e vários equipamentos. “É um trabalho exigente e moroso com resultados de curto prazo. Não é comparável ao herbicida com glifosato. E claro que isso tem impacto nos custos inerentes a este tipo de limpeza”, afirmou Alexandra Nunes, da autarquia madeirense.

 

A responsável evidenciou as várias técnicas alternativas que foram testadas e comparadas, visto não ser conhecida uma alternativa com um custo benefício comparável aos dos herbicidas com glifosato. No final, todos concordaram na perspetiva de que “não existe uma bala mágica”.


Desde 1 de junho de 2019 que Cascais deixou de usar glifosato em meio urbano. 


ASSOCIAÇÃO LIMPEZA URBANA

 

O II Encontro Nacional de Limpeza Urbana foi ainda o palco para a apresentação da nova associação LIMPEZA URBANA – Parceria para Cidades + Inteligentes e Sustentáveis, que reúne 12 municípios em torno das temáticas da limpeza urbana.

  

Luís Almeida Capão (na foto) é o presidente da direção da associação, que promete imprimir uma nova dinâmica nacional à temática da limpeza urbana. Ajudar as cidades a melhorar os seus serviços de limpeza e a motivar os cidadãos para comportamentos mais ambientais é o grande propósito desta iniciativa que em breve deverá lançar um estudo nacional de caraterização da limpeza urbana.

 

Nesta ótica foi apresentado o trabalho desenvolvido pela associação francesa – Association des Villes pour la Propreté Urbaine. Hervé Guillaume, secretário geral, tem sido o motor de 10 anos de trabalho da associação, que sublinhou a criação dos Indicadores de Limpeza Urbana. Esta metodologia permite conhecer o estado de limpeza, tipo de sujidade e estabelecer comparações objetivas entre cidades, de modo a desenvolver ações que possam melhorar as situações observadas.


Nos exemplos nacionais de boas práticas, apresentadas no II Encontro Nacional de Limpeza Urbana, destacou-se o Smart Urban Cleaning de Cascais que está a transformar os serviços de limpeza urbana de Cascais graças a sistemas tecnológicos de informação instalados em caixotes de lixo, carrinhos de varredura,  varredouras e veículos de recolha de cortes de jardins e monstros, num ecossistema mais eficiente (em termos operacionais) e promotor de melhor qualidade de vida.

 

O novo sistema de recolha de resíduos de Braga foi outro dos casos apresentados. Este sistema substituiu a recolha feita em sacos pela contentorização subterrânea e de superfície, cuja tipologia e método de recolha foram adaptados de acordo com a densidade populacional. Com um investimento global de cerca de 8 milhões de euros, o sistema tem ainda uma forte componente de tecnologia de informação associada.

 

Guimarães conquistou a audiência com o sucesso do projeto CARE – o copo reutilizável disponível em estabelecimentos do centro histórico e nos eventos, que está a reduzir os quantitativos de resíduos deixados no chão da cidade.

 

Entre as boas práticas internacionais, destaque para a abordagem de Paris e Montpellier (França) focadas em ações de sensibilização e de transformação comportamental como forma de reduzir as quantidades de resíduos produzidos e o seu correto encaminhamento para os locais adequados. De Espanha, os municípios de Oviedo e Bilbao evidenciaram uma aposta mais tecnológica e de disponibilização de equipamentos e serviços ao cidadão.

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