João Vaz (Ecogestus): “Vai ser difícil atingir metas do PERSU usando apenas o ecoponto” (COM VÍDEO)

Fundador da Ecogestus diz que modelo, tal como está implementado, esgotou-se

10.11.2015

“Vai ser difícil atingir as metas do PERSU 2020 [Plano Estratégico para a Gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos] usando apenas o ecoponto”. Quem o defende é João Vaz, fundador da Ecogestus Lda, empresa de consultoria e engenharia na área da sustentabilidade ambiental.

 

João Vaz considera que com o ecoponto, o modelo predominante em Portugal para a recolha selectiva, estagnou na medida em que não permitirá por si só uma progressão compatível com as metas previstas no plano estratégico.

 

“É preciso repensar, primeiro que tudo, o contentor da recolha indiferenciada e a partir daí estruturar melhor a recolha selectiva”, defende o especialista para quem a recolha selectiva - feita quer através de ecopontos quer através do sistema porta a porta - depende da forma como está organizada a recolha indiferenciada.

 

“Está provado, em vários estudos, que se personalizarmos a recolha indiferenciada com um contentor por família, prédio ou unidade de produção de resíduos vamos ter uma quantidade muito inferior (cerca de 30 por cento) de resíduos indiferenciados e como consequência um aumento da recolha selectiva”, explica João Vaz em declarações ao Ambiente Online.

 

João Vaz lembra que cada caso é um caso e por isso são várias as opções possíveis, algumas das quais podem até integrar o ecoponto como componente. Os modelos híbridos, por exemplo, compatibilizam recolha selectiva nos ecopontos com a recolha indiferenciada porta a porta ou até vice-versa. “Na minha opinião o melhor sistema é talvez o italiano em que houve uma aposta muito significativa na recolha selectiva de resíduos orgânicos com contentorização de pequena dimensão exactamente para caber dentro de casa das pessoas. Esse é um obstáculo a vencer em Portugal: como arranjar espaço para que cada um tenha o seu contentor em casa?”, sugere em jeito de desafio.

 

Para o especialista a prática mostra que a recolha indiferenciada se for feita porta a porta vai diminuir os quantitativos gerais e aumentar a recolha selectiva. João Vaz considera que a questão do volume dos contentores para resíduos indiferenciados é crítica. “Se eu tiver em casa um contentor para os meus indiferenciados, seja de 60, 120 ou 240 litros, que só é recolhido uma vez por semana, tenho a necessidade física de colocar grande parte das embalagens volumosas, como garrafas de água e garrafões, noutro tipo de contentorização, que é a recolha selectiva”, explicita.

 

João Vaz acrescenta ainda que, no caso das zonas rurais, é um mito pensar-se que a recolha selectiva ou porta a porta não funciona. “Existem poucos estudos, mas por questões sociológicas, de espaço e disponibilidade de tempo haveria potencial para isso e dever-se-iam fazer algumas experiências e testes integrando recolha selectiva e indiferenciada para verificarmos quais são os quantitativos recolhidos em zonas rurais e mais remotas”, defende.

 

O responsável participou na sexta-feira num seminário sobre “O (In) sucesso da recolha selectiva em Portugal”, organizado pelo CERNAS – Centro de Estudos de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade, que decorreu no anfiteatro da Escola Superior Agrária de Coimbra.

 

Ana Santiago

TAGS: resíduos , recolha selectiva , PERSU 2020 , João Vaz , Ecogestus
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