Manuel Piedade (Resíduos): Soluções tecnológicas associadas à identificação de equipamentos de deposição

27.03.2017

A evolução dos sistemas tarifários para modelos do tipo PAYT requer uma reestruturação nos esquemas de deposição atualmente existentes, baseados em soluções de deposição individual ou coletiva nas quais não existe identificação clara e inequívoca do utilizador/produtor.

 

Pretendendo-se um esquema de recolha justo, assente no princípio do poluidor-pagador, torna-se fundamental estabelecer o binómio unívoco entre equipamento - utilizador. Para o efeito, existem várias soluções no mercado, que vão desde sacos com identificadores por códigos de barras a equipamentos de deposição coletiva com acessos condicionados, passando por soluções de contentorização individual equipadas com identificadores com tecnologia RFID (Identificação por Rádio Frequência).

 

Apesar dos sistemas RFID não serem uma tecnologia nova, nos últimos anos tem vindo a verificar-se um interesse crescente neste tipo de solução aplicado à gestão de RU e consequente melhoria tecnológica para obtenção de crescente fiabilidade na sua utilização.

 

Esta tecnologia, que permite a identificação automática de objetos através de sinais de rádio, é composta por quatro componentes básicos: etiqueta (tag), leitor, hardware e software. A etiqueta identifica o objeto ao qual está associada e comunica com o leitor via sinais de rádio. O leitor converte estes sinais em dados que são posteriormente transferidos por GRPS ou USB para um servidor que alimenta uma base de dados. As etiquetas podem ser de alta ou baixa frequência, sendo estas últimas as mais utilizadas na gestão de RU, pois permitem leituras a curta distância.

 

A cada contentor é atribuído um identificador (etiqueta) com um código único, que é depois associado ao respetivo produtor numa base de dados, possibilitando ao operador monitorizar e controlar o número de vezes que o contentor é recolhido.

 

Para introdução desta tecnologia torna-se necessário definir previamente o respetivo modelo de gestão de dados, que deve garantir desde logo a identificação e ligação unívoca entre o equipamento de deposição e o respetivo utilizador.

 

A operação de um sistema desta natureza implica a permanente atualização da base de dados dos utilizadores e bem assim a monitorização de todo o sistema de leitura, por forma a serem detetadas e corrigidas atempadamente situações de erros associados a não leitura de identificadores.

 

Havendo atualmente um esforço significativo na melhoria das condições de deposição de resíduos, particularmente no que se refere às recolhas de embalagens e resíduos orgânicos em função das metas de reciclagem estabelecidas, será importante considerar nos projetos a implementar a utilização de soluções tecnológicas associadas à identificação dos equipamentos de deposição, numa dupla perspetiva: 

 

  • Possibilidade de obtenção de informação em tempo real e utilização desta para uma melhor gestão da operação de recolha
  • Criação das bases de evolução para sistemas tarifários do tipo PAYT


Manuel Piedade é licenciado em Engenharia Mecânica pelo IST e especialista em Engenharia Sanitária pela UNL. Foi Administrador de empresas da área do Ambiente (HIDROPROJECTO, AMBIENTSI, HIDROMINEIRA, ARABRANTES) e da área de manutenção industrial (MANVIA, MOTA-ENGIL_MANVIA - Diagnósticos Eléctricos , ACE, PFEIFFER-MANVIA , ACE). Foi docente da disciplina de resíduos sólidos em Mestrados da FCT da Universidade Nova de Lisboa e na Licenciatura em Engenharia do Ambiente da Universidade dos Açores. É Coautor do Guia Técnico nº 15 – Opções de gestão de resíduos urbanos, editado pela ERSAR. Foi sócio fundador da AMBIRUMO – Projetos, Inovação e Gestão Ambiental, Lda, empresa em que atualmente exerce funções de consultoria.

TAGS: Opinião , Manuel Piedade , resíduos , tecnologia
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