Manuel Piedade: Soluções tecnológicas associadas à reciclagem de resíduos

Opinião Resíduos - Tecnologias

08.07.2020

 

Os sistemas de classificação e separação de resíduos nos centros de triagem têm evoluído de forma contínua, direcionando-os para um incremento das operações realizadas de forma automática em detrimento das manuais, com ganhos de eficiência e, consequentemente, melhores rendimentos e qualidade nos materiais recuperados.

 

No momento presente, em que se atravessa uma crise sanitária provocada pela pandemia Covid-19, novos desafios se colocam ao desenvolvimento de tecnologias que reduzam significativamente a intervenção humana nos processos de triagem e os naturais riscos para a saúde dos trabalhadores.

 

A robótica inteligente, que já começou a ser utilizada e se encontra em fase de desenvolvimento em alguns centros de triagem, particularmente na fase de afinação dos materiais triados, surge como uma solução para a qual se tenderá a evoluir, não só pelos ganhos de eficiência, mas porque permite a libertação dos operadores para tarefas de maior valor acrescentado e um maior distanciamento social, que deverá perdurar como forma de organização de trabalho para além do período da atual pandemia.

 

A instalação de robots comandados por inteligência e visão artificial nos centros de triagem será um processo inevitável, num futuro próximo, para a realização das tarefas de classificação e afinação dos materiais separados nos equipamentos a montante, classificadores, balísticos, separadores óticos, etc, surgindo, assim, o presente contexto como uma oportunidade para a aceleração da adaptação destas tecnologias à área da reciclagem dos resíduos.

 

No atual desenvolvimento dos sistemas de visão computacional associada a um nível de sensorização, capturando imagens que são analisadas em tempo real e permitem a interpretação dos materiais a classificar, a utilização de robôs para incremento da automatização da triagem de resíduos constitui uma solução para a qual se caminhará inevitavelmente. Com a utilização de robots para a classificação e afinação dos materiais separados a montante, poder-se-á obter uma maior rapidez e pureza de cada tipologia de material e a garantia de uma qualidade, que cada vez é mais requerida pela indústria recicladora.

 

A visão computacional associada a um nível de sensorização, captura imagens que são analisadas em tempo real e permitem a interpretação dos materiais a classificar

A robótica associada a um incremento dos níveis de sensorização dos diferentes equipamentos que integram as linhas de triagem de resíduos contribuirá para a sua automatização quase total, libertando os operadores de tarefas pesadas e com rendimentos variáveis e aproveitando-os para outras mais produtivas e de menores riscos associados.

 

 

 

Manuel Piedade é licenciado em Engenharia Mecânica pelo IST e especialista em Engenharia Sanitária pela UNL. Foi Administrador de empresas da área do Ambiente (HIDROPROJECTO, AMBIENTSI, HIDROMINEIRA, ARABRANTES) e da área de manutenção industrial (MANVIA, MOTA-ENGIL_MANVIA - Diagnósticos Eléctricos , ACE, PFEIFFER-MANVIA , ACE). Foi docente da disciplina de resíduos sólidos em Mestrados da FCT da Universidade Nova de Lisboa e na Licenciatura em Engenharia do Ambiente da Universidade dos Açores. É Coautor do Guia Técnico nº 15 – Opções de gestão de resíduos urbanos, e Guia Técnico nº 26 – Implementação de Sistemas PAYT-AS-YOU-THROW (PAYT)  editados pela ERSAR. Foi sócio fundador da AMBIRUMO – Projetos, Inovação e Gestão Ambiental, Lda, empresa em que atualmente exerce funções de consultoria.

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