Colunista Marcos Sá: E se os “influenciadores” falassem sobre a seca e o uso eficiente da água?

05.03.2018

O país atravessa uma seca extrema, com efeitos graves para toda a população, para a indústria, para a agricultura e para o meio ambiente. Os últimos números dão conta que o mês de outubro de 2017 foi o mais quente dos últimos 20 anos, registando-se apenas 30% de precipitação - um valor muito aquém do normal para a época. No final de Outubro, todo o território de Portugal continental estava em situação de seca severa (24,8%) e extrema (75,2%).

 

O Ministro do Ambiente anunciou recentemente uma nova campanha para sensibilização de todos, sobre o uso eficiente deste bem escasso. É uma excelente decisão, mas considero que ainda falta muita gente dar o exemplo e assumir as suas responsabilidades para ajudar a mitigar este problema que não é só do ambiente nem da agricultura. Mas de todos!

 

Questiono-me como é que no meio de um enorme problema que afeta todos, ainda nenhum Grupo de Media tenha apoiado uma campanha de educação ambiental. Da mesma forma, ainda não vi qualquer alerta por parte dos influenciadores na Comunicação Social, Redes Sociais ou Internet.

 

Não seria expectável que, numa situação desta gravidade, os principais Grupos de Comunicação Social (RTP, SIC, TVI, TSF, RDP, RR), se disponibilizassem para, de forma altruista e responsável do ponto de vista ambiental e social, ceder gratuitamente, alguns espaços publicitários para campanhas, no sentido contribuírem para sensibilizar todos os portugueses para o uso eficiente da água?

 

Seria pedir muito que os youtubers, os comentadores televisivos e radiofónicos, e os novos influenciadores das redes sociais, dedicassem um pouco do seu espaço mediático para alertarem para este problema e pudessem dar conselhos simples aos seus seguidores?

 

A defesa desta causa comum, a preservação da água, seria uma boa marca para reforçar a responsabilidade ambiental de todos e de cada um de nós.

 

Nota: Recentemente realizou-se o primeiro encontro organizado pela Águas do Algarve. A organização está de parabéns, em particular o seu Presidente, Joaquim Peres, pela aposta que fez e a Diretora de Comunicação, Teresa Fernandes, que em conjunto com uma enorme equipa (da casa) fez tudo acontecer de forma harmoniosa. Realço a intervenção lúcida e pragmática do Regulador (ERSAR), Orlando Borges. O problema das perdas nas redes em baixa é inadmissível, nos tempos em que vivemos. E só uma mudança de mentalidades poderá alterar o paradigma para podermos contar com Entidades Gestoras com escala e meios humanos e técnicos que garantam a sustentabilidade económica e ambiental, de um bem escasso como a água.

 

Marcos Sá, diretor de comunicação e educação ambiental da EPAL, é licenciado em Ciências da Comunicação e da Cultura e possui cinco pós-graduações na área da gestão, marketing e Direito. Tem formação executiva na área da liderança, gestão de equipas e internacionalização de empresas. Foi docente, como assistente convidado, durante sete anos, na Universidade Nova de Lisboa. Exerceu funções de vereador da Câmara Municipal de Oeiras e de deputado à Assembleia da República integrando, entre outras, a Comissão de Ambiente. Desde 2011 é dirigente do setor empresarial do Estado, tendo sido responsável, entre 2011 e 2016, pela relação comercial de 98 municípios servidos pela EPAL, assim como, de todos os produtos e prestação de serviços dessa entidade, no mercado nacional e internacional. É ainda vice-presidente de uma instituição, sem fins lucrativos, na área do apoio social para idosos. As opiniões expressas neste artigo vinculam apenas o autor.

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